quinta-feira, 26 de abril de 2018

No Cinema

Alguns aniversariantes, queridos meus, dos últimos dias:




Barbra Streisand completou 76 anos; Jack Nicholson completou 81 anos; Dev Patel, 28; Djimon Hounsou, 54; Shirley MacLaine, 84; Al Pacino, 78; Renée Zellweger, 49 e Channing Tatum, 38. Toda essa gente mora no meu coração!

A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Praça Paris

Coluna Primeiras Impressões 



Você precisa saber que: neste exato momento o filme dirigido pela grande cineasta Lúcia Murat é atual, é corajoso, é perturbador e soma-se a última leva dos filmes brasileiros obrigatórios dirigidos por mulheres, centrados em protagonistas mulheres e que estão contribuindo para a imagem mais honesta possível do Brasil. É impossível esperar menos de Lúcia Murat, uma das maiores cineastas brasileiras de todos os tempos e, até o presente momento (e estamos em Abril e, levando isso em conta, pra mim está claro), "Praça Paris" é o 1º dos 3 melhores filmes brasileiros que vi até agora em 2018, encabeçando a trinca formada pelos filmes "Antes Do Fim" (do cineasta Cristiano Burlan) e "Arábia" (dos cineastas João Dumas e Affonso Uchoa).

Também possivelmente a melhor interpretação feminina do Cinema nacional deste ano, a atriz Grace Passô realiza uma atuação fatal, ao nos oferecer Gloria, mulher negra, pobre, do RJ, do Morro da Providência, com um irmão na cadeia e uma personagem belíssima. Este filme manifesta a desigualdade de uma nação e a transmissão cultural deste crime contra a humanidade (que é a desigualdade), alocado no desenvolvimento histórico do país desde o seu "descobrimento" por portugueses e, curiosamente, ergue-se como a antagonista de "Praça Paris" uma atriz portuguesa, a tremenda Joana De Verona. Então, aí fica a dica, antes da estreia nas salas de Cinema do Brasil: olhos, ouvidos, coração e consciência bem abertos para este grande filme.

Este filme capta o preconceito, a desconfiança de insegurança e fica no limiar da intolerância, que usa como ferramentas os argumentos da violência. A cineasta Lúcia Murat está observando quem foi colocado na mira da tal guerra civil. Seu filme é duro, perturba, incomoda, comove, tem honestidade e reforça o talento de uma cineasta que experienciou na pele a ditadura. Portanto, se tem um filme dirigido por uma mulher histórica, com personagens mulheres, que ajudam a compreender este Brasil, neste momento esse filme é o imperdível "Praça Paris"

Instagram Oficial: @canaismaiscinema 
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim 

A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

domingo, 22 de abril de 2018

Um Filme Falado

Coluna: Filmes Raros e Filmes Que Não Podem Ser Esquecidos

"Outro momento de rara beleza dentro da filmografia do grande Manoel de Oliveira.
Dos filmes que estão acima de todas as coisas!"



Tive a honra de receber em casa esta edição em dvd, edição cada dia mais rara, desta pequena obra-prima de um dos maiores cineastas de todos os tempos, o nosso português tão querido Manoel de Oliveira. Constatei como "Um Filme Falado" continua integrando o relevo de expressões absurdamente belíssimas dos filmes que o gênio realizou. Neste ano completaria 109 anos e no último dia 2 de Abril chegou aos 3 anos de falecimento.

O que se vê em "Um Filme Falado" é uma inspiração extraordinária. Enquanto o navio parte de Lisboa, a professora de história, a maravilhosa Leonor Silveira, explica para a filha os detalhes históricos das principais civilizações. Do porto de Marselha sobe Catherine Deneuve, do porto de Nápoles sobe Stefania Sandrelli, do porto de Atenas sobe Irene Papas (pelo menos 4 das atrizes mais antológicas da história do Cinema) e todas se juntarão a John Malcovich na cena antológica em que estão sentados à mesa, conversando entre si cada um na própria língua. N'outro momento Leonor Silveira junta-se também à mesa, orientando o diálogo em inglês. No Cairo, ainda em outro momento, se encontram com o ator Luís Miguel Cintra. 

O filme de Manoel de Oliveira encontra sua grandeza ao celebrar berços da civilização, ao fazer erguer a natureza de suas línguas e também, ao ser realizado em 2003, em surgir como filme integrante do primeiro grupo das realizações do Cinema, pós ataques terroristas de 11 de Setembro, a suscitar os dilemas culturais e étnicos, que moveram-se como pesadelos. O final de "Um Filme Falado", ao mesmo tempo que perturbador, aponta para o cineasta libertário Manoel de Oliveira. Poucos diretores se transformam num depósito cultural em favor da humanidade e esse é um feito raro. Com objetividade "Um Filme Falado" contém um depósito e demonstra como o próprio Manoel, em 106 anos de idade, ofereceu-se ele próprio como um depósito inesgotável.

Instagram Oficial: @canaismaiscinema 
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim 

A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

Nelson Pereira Dos Santos: 89 anos



Dói demais. Ver partir esses pais do Cinema que você ama e que transformou sua vida, vai deixando uma dor indescritível. O Nelson é pai do Cinema brasileiro, seja do novo ou não, ele é pai. Seus filmes, os monumentos que ergueu, "Rio 40 Graus", "Vidas Secas", "Memórias Do Cárcere", além de estabelecerem o marco da contribuição de Nelson ao Cinema brasileiro (que só poderia ser a beleza que é também por causa dele), são de um impacto fatal. Os interesses de Nelson, as vidas para as quais Nelson olhava e trazia para a tela, a descoberta de contra-partida dessas vidas, mostrar o que ninguém mostrava e proteger sua visão com a forma de filmar mais humana que conseguisse, são talentos que hoje nos fazem homenageá-lo ao máximo possível. Fico com as palavras de Cacá Diegues:

"O Nelson inventou a maneira de fazer cinema no Brasil. O cinema moderno brasileiro foi inventado por ele. Ele foi o primeiro a filmar a favela como tema nobre, foi o primeiro a fazer cenas na rua como a gente precisava conhecer. Ele inventou um cinema para o país e o país coube dentro do cinema dele". 

Instagram Oficial: @canaismaiscinema 
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim 

A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Me Chame Pelo Seu Nome

Disponível em dvd e bluray:

O DVD VEM COM EXTRAS

Repare como a tensão, em Luca Guadagnino, precisa ser espalhada por vários locais, atuando como "pontos nervosos" ao toque visual; repare como precisa acontecer se utilizando e atrelada ao ambiente, ao espaço físico, ao mapa quase que geográfico, estabelecendo uma linguagem. Logo, se sabe que a movimentação ajuda a perceber o estado interior de seus personagens. Então, você sente qual é a pulsão do momento, se aflige muito mais com ela, através do "ir e vir" dos personagens, através das ações que vão ficando pelo caminho, do que se eles se expressassem verbalmente. Repare, na filmografia deste cineasta, na espécie de uso "decrescente" extraordinário do habitat ao redor: temos em "Eu Sou O Amor" a exploração mais perceptível da arquitetura, seja das casas, das ruas, construções ou mesmo do "lá fora"; posteriormente, em "Um Mergulho No Passado", uma ilha italiana se tornava toda ela um ninho de tensões e climas, em torno de uma personagem quase muda, criando um efeito indescritível; no entanto, é em "Me Chame Pelo Seu Nome" que está o miolo dessa ideia, ainda mais íntima, ainda mais frágil e ainda mais devastadora. Essa ideia de que a natureza dos personagens, quando flerta com a natureza do espaço, revela os reais sentimentos que descortinam nossa identidade e o que pode haver de mais libertário nesse abismo que somos nós. 

Repare, sob a perspectiva acima, como os sentidos do espectador se confundem, articulando magistralmente a noção de expectativa sobre a relação de Elio e Oliver, todas as vezes em que eles estão no espaço de seus quartos, com portas que se abrem e fecham entre os cômodos, as quais em determinados momentos você não sabe ao quarto de quem, de fato, elas levam ou pra onde, de fato, elas dão. Repare ainda, numa sequência quase antológica, de poucos mais de 4 minutos sem cortes, quando ambos estão prestes a se revelar um ao outro e, entre eles, a existência de um monumento à 1ª guerra inspira uma célebre troca de palavreados entre os dois. Oliver questiona o que Elio, dotado de tanto conhecimento, porventura viria ainda a não saber e Elio, apropriando-se da deixa de respostas não ditas, enquanto completam a volta ao redor do monumento, passa a sussurrar ininterruptamente "porque eu queria que você soubesse", ao som de "Une Barque Sur L'Ocean", de Ravel. O resultado da equação de tais ferramentas narrativas orquestradas pela direção de Luca Guadagnino, é como o resultado da ação de um juiz que bate o martelo efetuando o encerramento do tribunal, ou seja, é fatal.

Tal fatalidade se dá, em "Me Chame Pelo Seu Nome", pela força exercida exatamente de toda a "mis-en-scene" criada por Luca Guadagnino. Mas, assim, exatamente toda mesmo! O depósito que a visão de Guadagnino e o texto de James Ivory, que ambos exploram brilhantemente do texto do autor André Acimam, encontra no cenário italiano, encontra na forma como aquele "algum lugar no norte da Itália em 1983", a postura ideal para a câmera naturalista do cineasta, que por sua vez, proporciona a tendência de Elio por sua natureza. Ao que tudo indica, essa equação expressa aqui, da forma como é proposta, continuava inexistente no cinema contemporâneo, até o surgimento de Guadagnino. Aliás, guardadas as devidas proporções, quem vinha vivendo um flerte com essa forma de conjugar a "mis-en-scene", do espaço ao texto, foi outro italiano, Paolo Sorrentino, na obra-prima "A Grande Beleza". Repare também como a Itália serve (como outrora no cinema), da luz do sol durante seus dias, as sombras de suas noites, como o melhor lugar para sua vida nunca mais ser a mesma e para que amores de verão afetem, sem volta, sua história. Nenhuma outra paixão, por mais devastadora que seja (e o nível das que, nesse sentido vi no cinema nos últimos anos, foram de "Namorados Para Sempre" á "Alabama Monroe" e "Azul É A Cor Mais Quente"), nenhuma outra tem um cenário tão fulminante como a paixão entre Elio e Oliver tem.

Repare também como o romance entre esses dois homens encontra a nitidez que Guadagnino continua protegendo em sua filmografia. Há sempre uma ruptura cultural violenta, de algo tradicionalmente transmitido pela sociedade, na ideia de como a idade dos condutores das tramas de Guadagnino é  discrepante. Essa ideia, aliada vorazmente ao registro quase idealizado do romance entre esses dois homens, em "Me Chame Pelo Seu Nome", tem a potência de fazer ferver a experiência sensorial de quem assiste. A bem da verdade, vale sempre lembrar que, no cinema e na ciência da narrativa em si, o conflito é um de dois elementos básicos (o outro é a descrição do personagem) cuja finalidade é o desenvolvimento nato da empatia entre o que se narra e o espectador. Por um momento questionei se havia uma sensação de inexistentes maiores conflitos entre Oliver e Elio, questionando se não é uma ideia equivocada que talvez também a vida possa ser assim, sem tantas pressões. Porém, o tal monólogo do pai ao final, esse sim antológico, desterrou qualquer fragilidade que eu suspeitasse existir na ideia do romance entre Oliver e Elio. De fato, pode ser um ideal, até para o que almejamos, mas, quando este pai que pertence (mais ou menos) a década de 50/60 (já que a história pertence a 83), diz com todo o amor do mundo que "inveja" o filho e que, no lugar dele, outros pais gostariam que tudo aquilo acabasse, dizendo ainda a máxima de que "tiramos muito de nós, para nos curarmos rapidamente de coisas, falindo-nos aos 30 anos"; quando você compreende esse monólogo inteiramente, você percebe então, como "Me Chame Pelo Seu Nome" faz sentido. E a cena final deste filme é devastadora, me fez sair do cinema chorando como criança.

" ME CHAME PELO SEU NOME " - Call Me By Your Name - Dir. por Luca Guadagnino - Itália/França/Brasil/EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Sony - Exibidor para o Mais Cinema: Caixa Belas Artes

Instagram Oficial: @canaismaiscinema
Página Oficial: facebook.com/canaismaiscinema  



A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Conquistas E Alegrias

~ Bom Dia ~ Nunca imaginei isso na minha vida 



~ Foto feita para o Best Center Itatiba ~ 
Anunciar essas marcas aqui não tem preço: Caqui Sucos & Burgers + Kopenhagen Itatiba + HOPE Lingerie + AREZZO + Loja Morana Itatiba Morana Morana Baraldi + Loja Havaianas Itatiba + Loja MMartan + Lavanderia Dry Clean USA + Loja Hering + Sobrancelhas Design Itatiba + Colchões Ortobon ( Página Oficial Mais Cinema por Daniel Serafim e Instagrans @itatibamaisdanielserafim @canaismaiscinema ) = 

Há mais de 2 meses, fui convidado a ser Blogueiro do antigo Galeria Mall, que hoje é o Best Center Itatiba e o convite foi resultado do grande número de visualizações que comecei a receber, no desenvolvimento do meu trabalho de luta como Blogueiro de Cinema, desde o 2º semestre de 2016, saindo de Itatiba e indo pra São Paulo, partindo do 0. E faz parte da conquista em ser Blogueiro do Best Center anunciar essas que são algumas das maiores franquias do Brasil. Sou todo gratidão, eu nunca imaginei isso na minha vida 

domingo, 8 de abril de 2018

Senhoras e senhores: os 79 anos de Francis Ford Coppola



Não é todo dia que a gente tem um dos maiores diretores de Cinema de todos os tempos chegando em seus quase 80 anos vida, como aconteceu ontem (07/04), com Coppola. Se alguém, porventura, principalmente das novas gerações, ainda não fez parada obrigatória no Cinema de Francis Ford Coppola, que se saiba: vai ser sempre uma obrigação. 

Ele não apenas marcou a vida de muitas gerações com seus filmes inesquecíveis, os maiores deles "O Poderoso Chefão" e "Apocalipse Now", como ficou na história do Cinema para todo o sempre, marcado por seu espírito desafiador, como um dos mestres do Cinema da década de 70, que (lógico) influenciaria toda uma geração posteriormente. E, se tem um adjetivo que o define acima de todos os outros, é seu ímpeto corajoso, que veio do mesmo ímpeto da geração que, antes dele, já pensava o Cinema tal qual sua imensidão, como o magnânimo David Lean de "Lawrence Da Arábia". Francis Ford Coppola colocou na cabeça que preservar o instinto e a ideia é o que traria o resultado de Cinema mais genuíno. Assim, como Deus no gênese, ele criou, apenas criou. 

Quase passando dos 60 anos de carreira, grande vencedor de 5 Oscars, de 2 Palmas de Ouro do Festival de Cinema de Cannes e de centenas de outros prêmios, ele mantém o status como o diretor que, para prevalecer como dito acima o instinto e os valores épicos do Cinema, não poupou desafios aos seus sets de gravação, tal como ainda assusta descobrir no documentário "Francis Ford Coppola - O Apocalipse De Um Cineasta", co-dirigido pela própria esposa e que registra o pavor das gravações do inigualável resultado de "Apocalipse Now"

Contudo, de todos os seus filmes, certamente foi a trilogia de "O Poderoso Chefão" (prestes a completar 50 anos do 1º filme), que mais desenvolveu afeto com o público e que continua na memória integralmente. Também desenvolveu afeto com o público a filha do cineasta, a extraordinária Sofia Coppola, dirigindo um sucesso seguido do outro e também não foi difícil desenvolver afeto pelo 1º longa de ficção dirigido em 2017 pela esposa do cineasta, Eleanor Coppola, que realizou a delícia de filme "Paris Pode Esperar". Assim, celebramos os 79 anos da lenda viva, Francis Ford Coppola.

Instagram Oficial: @canaismaiscinema
Página Oficial: https://www.facebook.com/canaismaiscinema/
Perfil Oficial: https://www.facebook.com/dsmaiscinema
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim

MAIS CINEMA! A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

20º Festival Do Cinema Brasileiro De Paris

🎬 Eu não fui (um dia eu irei!), mas essa nota, com amor pelo Cinema brasileiro, eu quero dar 💟
#MaisCinema



De 3 a 10 de Abril, no Cinema L'ARLEQUIN, em Paris, acontece a 20ª edição do Festival Do Cinema Brasileiro e eu resolvi destacar o acontecimento do Festival, por exibir algumas das produções mais extraordinárias e artísticas que o Cinema brasileiro produziu em 2017, as quais não podem se perder e que precisam ser assistidas, principalmente pelo público brasileiro. Segue a seleção oficial da competição, com estrelas nos filmes que eu consegui assistir:
(facebook.com/canaismaiscinema ou procure no google por #dsmaiscinemapontoblogspotpontocom)


Fora De Competição

" O FILME DA MINHA VIDA " - Selton Mello - ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


" BENZINHO " - Gustavo Pizzi -


" MEU AMIGO HINDU " - Hector Babenco -


Competição


" ARÁBIA " - Afonso Uchôa e João Dumas -


" ANTES QUE EU ME ESQUEÇA " - Tiago Arakilian -


" BERENICE " - Alan Fiterman -


" BINGO " - Daniel Resende - ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


"AS BOAS MANEIRAS " - Marco Dutra e Juliana Rojas -  ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


" CORPO ELÉTRICO " - Marcelo Caetano - ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


" AS DUAS IRENES - Fabio Meira - ⭐ ⭐ ⭐


" JOAQUIM " - Marcelo Gomes - ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


" PRAÇA PARIS " - Lucia Murat -


" COMO É CRUEL VIVER ASSIM " - Julia Rezende -


O Cinema brasileiro merece todo o nosso amor, principalmente suas produções mais desafiadoras e artísticas, então nunca será demais saber os caminhos que tem tomado e sob quais influências tem existido ou criado sua movimentação #euamoocinemabrasileiro 💟

No Instagram procure as hashtags: #festivalducinemabresilien #festivalducinemabresiliendeparis #larlequin #cinemalarlequin #cinemabrasilien #Paris #Brasil #Itatiba #CinemaBrasileiro #CinemaNacional #festivalducinema #NoMaisCinemaVocêSabeMais

#AGenteSempreQuerMaisDaquiloQueAGenAma

domingo, 1 de abril de 2018

Uma Mulher Fantástica

"Definições de 'soco no estômago' e 'tapa na cara' são atualizadas. O grande vencedor do Oscar/2018 tem o poder de deixar em choque!"


GENTILMENTE, A DISTRIBUIDORA IMOVISION, ENVIOU CARTAZ E DVD AO MAIS CINEMA


Quer ter um mínimo de compreensão sobre a vida de uma transexual no mundo a sua volta? Quer fazer um exercício letal e, literalmente, ocupar o lugar de uma trans durante 104 minutos? Então o Cinema age e sugere a mais devastadora oportunidade: o grande vencedor do Oscar/2018 como melhor filme estrangeiro, o chileno "Uma Mulher Fantástica", é uma das experiências mais assustadoras do Cinema, colocando o espectador contra a parece, descendo uma saraivada de humilhações e agressões, encontrando a maior das comunicações universais com toda a humanidade. Mas, mais do que isso, neste filme assombroso do chileno Sebastián Lelio, um movimento constante deixa o espectador inquieto. Enquanto Marina Vidal, a transexual estupenda construída pela extraordinária Daniela Vega (uma revelação magnética), atravessa um calvário, também cutuca a bolha do autoconhecimento, ora usando a agulha do "quem sou eu?!" para si mesma, ora emprestando a mesma agulha para o espectador, mas mudando a pergunta para "quem sou eu para você?!/o que sou eu para você?!/como você me vê?!". É justamente daí que brota a beleza do filme de Lelio. Aliás, ela pode brotar tranquila e silenciosa, mas a força da vida que traz consigo tem a potência da natureza, tão violenta e ao mesmo tempo tão abstratamente ordenada, como as cataratas do Iguaçu, que lindamente abrem o filme e ajudam a intuir o seu sentido.

O filme que começa com a comemoração do aniversário de Marina e que segue com os planos de seu marido Orlando para que viagem juntos para as cataratas (o que nos anestesia a pensar que poderíamos assistir um lindo romance como qualquer outro), de repente sofre uma virada brusca com a súbita morte dele e passa a descer, sem freio, tornando Marina o centro das atenções. O médico do hospital a fere com um olhar acusatório, como se ela fosse um símbolo de marginalidade. O que se seguirá é a continuidade brutal e desenfreada de humilhações, ultrajes, ofensas e agressões, da investigadora de polícia à antiga família de Orlando que, além do comportamento animalesco, anuncia sua própria forma de sentença sobre Marina: a proibição de sua presença no velório e no funeral, ou seja, o impedimento de dar o "último adeus" ao homem que amava.

Notavelmente, Sebastián Lelio evita fazer de seu filme uma incisão política ou social, pontuando que sua decisão de fazer este filme foi porque a história o emocionou e porque há amor nesta trama. Ela é universal, mais por conta da vida que contém, do que pelo símbolo que carrega (e que também conecta o filme com a realidade de transgêneros e com as discussões de gênero pelo mundo afora). De fato, nota-se como o tratamento que Marina recebe dói dentro dela, o que a desestabiliza emocionalmente e existencialmente, mas não a destrói. Dessa forma, Marina se questiona o tempo todo diante da espécie de "preço que paga" por ser lida como uma quimera. Ela se observa, para garimpar o eixo de quem ela tem certeza que é. Surgem, então, os símbolos que provocam o espectador. Numa das cenas mais memoráveis, Marina está nua e quando a câmera tenta revelar ao espectador seu genital, é um espelho refletindo o rosto de Marina que ela tem entre as pernas. É Sebastián Lelio mexendo com os nossos sentidos, com a nossa visão, com a nossa percepção e com a nossa aceitação, afinal, o que é que vemos ou o que é deveríamos ver?!

Daniela Vega citou Almodóvar para falar de sua transição, em como foi importante assistir seus filmes e descobrir o que estava acontecendo consigo e, fato é, que o Cinema de Pedro Almodóvar ecoa dentro da cabeça em "Uma Mulher Fantástica". Em algum momento a música, as cores, um clima de mistério, vai trazê-lo à lembrança. A impressão é que Sebastián Lelio arrumou uma maneira muito autêntica de gravitar entre esse cinema, seja o de Almodóvar ou de outros, que há muito tempo se interessam por essas vidas e por essas concepções. O cinema de Lelio, aliás, é de uma vitalidade, de uma composição e de uma narrativa tão fluentes, que cada vez mais vem lhe trazendo reconhecimentos. Ela já havia sido premiado em Berlim com o excelente "Gloria" e com "Uma Mulher Fantástica" saiu do festival com 2 prêmios e Daniela Vega, por pouco, não foi a primeira atriz transexual a ser premiada no festival, tamanha a conquista de sua interpretação. Ela é tão fantástica, quanto Marina, porém suas vidas não foram tão iguais, segundo ela mesma, que lembrou dos seus afetos em entrevistas, mas uma coisa é certa: Daniela, assim como Marina numa de outra das cenas extraordinárias desse filme, vem resistindo a ventania impetuosa pelas ruas ao ponto de curvar-se, mas tem seus pés firmes no chão. Ela ainda não mudou seu nome social no Chile, o que já poderia ter feito por ser uma pessoa pública, mas espera as mudanças nas leis, para que possa atravessar pelos mesmos processos que as outras transexuais que não tem os mesmos privilégios que ela teria. 

"Uma Mulher Fantástica" - Una Mujer Fantástica - Dir. por Sebastián Lelio - Chile - 2017 - Distribuidora no Brasil: Imovision

Instagram Oficial: @canaismaiscinema 
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim

MAIS CINEMA! A GENTE SEMPRE, QUER MAIS DAQUILO QUE A GENTE AMA!

Aniquilação

"Alex Garland: da ficção A para a ficção B."


Adaptação de livro bem sucedido vira um filme descartável



Por Daniel Serafim

Uma grande bobagem e não dá pra acreditar. Quando o trailer foi lançado e a gente descobriu que esse ano tinha filme novo de Alex Garland, depois do indispensável "Ex Machina", a gente pulou da cadeira. No entanto, o Cinema tem algumas variantes tão imprevisíveis quanto os responsáveis por essas mesmas variantes. Eu não esperava que o diretor Alex Garland, responsável por um filme surpreendente, o super indicado ao Oscar/2016 de melhor roteiro original "Ex Machina" (um relevo excitante de originalidade), fosse agora compor um resultado tão decepcionante em cima da adaptação do primeiro livro que forma uma trilogia de ficção altamente delirante por si só. Quando os produtores perceberam que o resultado de Alex Garland "não rolou", trataram logo de parar de impulsionar o filme que agora, no Brasil, chega direto pela Netflix. Vejam só: "Aniquilação" é o que se chama de "impressão do diretor", é a tentativa de Alex Garland em adaptar a trilogia de Jeff  Vandermeer composta pelos livros "Aniquilação", "Autoridade" e "Aceitação" (que não li, mas fui descobrir mais sobre, pra saber do que se tratava). É uma grande história sem obviedades, que abre perguntas, formas e devaneios, com provocações em cima sobre ciência, genética, mutação e por aí vai. 

Nas mãos de Alex Garland, a história de uma zona que surgiu no litoral americano, que altera todo o ambiente violentamente e que aloca a "Área X", virou apenas um filme com dezenas de elementos, clichês, ora mais ficção, ora mais terror, do qual não se absorve nada. As pessoas que são enviadas para explorar esse "desconhecido", ou não voltam, ou voltam afetadas, mas quando a equipe de 5 mulheres, lideradas pela atriz Jenniffer Jason Leigh e com Natalie Portman encabeçando, vão para lá, o espectador vai descobrir um mínimo do que acontece ali dentro. Salvo o visual que, em alguns momentos impressiona (ainda que sem aquele acabamento admirável de "Ex Machina"), é tão nítida a sucessão da falta de delicadeza, que em outros momentos também constrange. Se você prestar bem atenção, vai perceber como há discordância entre a aparição sem licença de uma jacaré imenso (infelizmente quase no estilo "Anaconda" de ser) e o cuidado de introduzir um urso que emite o som de suas vítimas (que reconheço, ficou bem interessante). Inacreditável que hajam notas tão absurdas compostas por Alex Garland (ele que já escreveu outra adaptação que rendeu o excelente filme "Não Me Abandone Jamais", do diretor Mark Romanek e que escreveu também o excelente "Extermínio", do diretor Danny Boyle), como também é inacreditável a quantidade de clichês (vide o grupo que vai se desintegrando um a um) em "Aniquilação" que, de resultado mesmo, só deixa aquela velha impressão de já se ter assistido mil filmes como esse e alguns bem mais bem sucedidos. 

" ANIQUILAÇÃO " - Annihilation - Dir. por Alex Garland - EUA - 2018 - Netflix 

Instagram Oficial: @canaismaiscinema 
YouTube: Mais Cinema Por Daniel Serafim 



MAIS CINEMA! A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!