sábado, 6 de janeiro de 2018

Senhoras e senhores: os 77 anos de Hayao Miyazaki



Ontem (5) o mestre/gênio/artista/cineasta Hayao Miyazaki chegou aos seus 77 anos de vida e sinto ser uma obrigação homenageá-lo, ainda que singelamente. Ainda procuro dentro do meu coração, mas sem esperança nenhuma, uma explicação para a forma como os filmes de Miyazaki conseguem me emocionar, conseguem me fazer evoluir sempre um pouquinho mais como pessoa e como conseguem renovar a experiência que o cinema é. Na verdade, acho que não quero essa explicação, eu quero apenas sentir mesmo! E estou bem mais feliz depois da notícia que o mestre desistiu da aposentadoria e vai dirigir mais um filme, cujo título foi revelado: "Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka", o que equivale a "Como Você Vive?".

A contribuição de Hayao Miyazaki, seu investimento artístico e a liberdade criativa que protege, são valores inestimáveis, que transformam sua existência no cinema em patrimônio; sim, quase um patrimônio da humanidade. São 77 anos de vida, com quase 55 anos trabalhando, reconhecido com 2 Oscars e com, pelo menos, 4 obras-primas que permanecem sem rival na história do cinema. Segundo Jean-Michel Frodon, crítico de cinema francês, Miyazaki surge elevando a outro patamar uma discussão que existiu em algum momento no cinema, lançando a contradição se desenhos animados ou animações, poderiam ser cinema. O crítico diz que, se havia ainda alguma dúvida, é com a obra-prima, "A Princesa Mononoke", que uma pedra cala todas essas vozes. 

Em suas animações as plateias se derretem com o visual impossível criado por Miyazaki e/ou com o nível cavalar da inventividade das histórias que cria, contudo, talvez seja em outro elemento que esteja o seu maior penhor: o vazio. São nos momentos de contemplação, onde seus personagens não estão envoltos as ações e estão apenas respirando em alguma sequência mais demorada, que mora a riqueza que nenhum outro cinema consegue captar. Na célebre entrevista que Hayao concedeu ao igualmente célebre Roger Ebert, quando Ebert pergunta exatamente sobre esse elemento de seus filmes, recebeu uma resposta antológica: "Temos uma palavra pra isso em Japonês. É chamada de MA, que significa "vazio" e isso está lá intencionalmente. As pessoas que fazem cinema tem medo do silêncio, estão preocupados com o aborrecimento da plateia e se um filme for 80 por cento intenso, não significa que as crianças vão te "abençoar" com a sua concentração. O que realmente importa são as emoções subjacentes". 

Dessa forma Hayao nos diz que esse "espaço" que preserva é o espaço fértil da alma, das emoções, da verdade, da singularidade, daquilo que não precisamos ouvir, mas apenas sentir. É a "brecha", é a pausa, é outra peça que também forma a vida, o silêncio, e deveria ser um exercício obrigatório. Seus filmes são peso-pesado e em nenhuma outra animação ocidental se vê crianças enfrentando desafios tão torturantes como em suas animações, e ele constrói essas imagens com audácia e poetismo etéreo. É, de fato, a melhor das leituras da vida, a melhor das contra-partidas, que recebemos no ocidente. Como eu disse, pelo menos 4 de seus filmes, são obras-primas incomparáveis: "Meu Amigo Totoro", "A Princesa Mononoke", "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado". Nesses 77 anos deste mestre é o caso de dizer que: contra fatos, não há argumentos. Viva Hayao Miyazaki!

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