sábado, 20 de janeiro de 2018

Hoje: os 72 anos de David Lynch



É uma unanimidade e todos concordam: David Lynch é, por excelência, um dos maiores cineastas de todos os tempos. Também é uma unanimidade entre todos nós que os delírios e as distorções mais sublimes das narrativas, sejam elas para o cinema e ou para a Tv, saíram até hoje da mente de David Lynch e que há nenhum outro se compara. 

O cinema celebra hoje os 72 anos dessa lenda viva, pela qual a história do cinema atravessa, se tornando assim um de seus patrimônios. Exalto nesse dia especial o documentário "David Lynch - A Vida De Um Artista", que se dedica a compreender a história do cineasta, narrado por ele mesmo, passando por fragmentos de sua vida e por sua relação com sua filha, até lançar seu primeiro filme, "Eraserhead", em 1977. Acho  interessante que a figura de David Lynch é tão inquietante e imensa, que foram necessários 3 cineastas para produzir esse documentário desde 2012. Além disso, outro fato interessante, é que essa composição de David Lynch, formada pelo documentário, criou uma imagem vasta antes de sua carreira monumental como diretor, imagine então se a sua imagem fosse captada até os dias de hoje, ou seja, haveria de ser um documentário ininterrupto, de tão imenso que David Lynch é.

Em se tratando da riqueza da obra criada por Lynch, é incomparável como ele torna a "mise-en-scene" indecifrável e ao mesmo tempo de uma beleza, que passa deliciosamente pelo bizarro. Ao descobrir o mundo dos sonhos e seu onirismo, ele levanta o inconsciente, filma-o com um fluxo inquietante, ao mesmo tempo em que torce, distorce e retorce os sentidos, os raciocínios e os conflitos. Como se não bastasse marcar o cinema, foi marcar também na década de 90 a Tv, com a avassaladora "Twin Peaks", um feito raro e inédito, que assombrou toda uma geração e que retornou em 2017, alvejada em elogios.

Com 72 anos de vida e com mais de 50 anos de carreira, é difícil descobrir entre as obras-primas de David Lynch a que seja mais fatal; falamos de "Eraseread", "O Homem Elefante", "Veludo Azul", "Estrada Perdida", "Uma História Real", "Mulholland Drive - Cidade Dos Sonhos", "Império Dos Sonhos" e é uma obra mais engolidora que a outra. O documentário "David Lynch - A Vida De Um Artista" foi exibido nos cinemas distribuído pela Fênix Filmes, está disponível pelas plataformas digitais e, quando sair em DVD, será uma obra precisa a qualquer coleção de cinema e aos que se dedicam a amar e estudar David Lynch. Fato é que hoje celebramos seus 72 anos de vida, certos de que é vital a necessidade de David Lynch sempre presente.

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Os extraordinários desse dia 18:



71 anos de Takeshi Kitano - Dos maiores cineastas japoneses em atividade, este premiado diretor, ator, comediante e autor, já tem quase 40 anos de profissão. Talentoso, já transitou por vários gêneros e gerou obras-primas como "Hana-Bi - Fogos de Artifício" e "Aquiles e a Tartaruga" 

Cary Grant faria 114 anos - O britânico indicado a 2 Oscars e premiado com o prêmio honorário da academia, marcou a história do cinema em seus 34 anos de carreira como ator. Destacam-se seus dramalhões românticos, comédias e destaca-se sua atuação no memorável "Intriga Internacional" de Alfred Hitchcock. 

63 anos de kevin Costner - Eternamente lembrado pela grande direção e atuação em "Dança com Lobos", Kevin Costner já tem 37 anos de carreira. Marcou a vida de toda uma geração com "O Guarda Costas", vivendo uma paixão com a inesquecível Whitney Houston. 

58 anos de Mark Rylance - Este extraordinário ator britânico, recente vencedor do Oscar por "Ponte dos Espiões", já tem mais de 30 anos de carreira. Iniciou a carreira na Tv e depois foi para o cinema. Em 2017 marcou presença em "Dunkirk" e, em 2018, será visto em "Jogador Nº 1".

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Peculiaridades das grandes atuações de Frances McDormand



À esquerda, Frances McDormand em "Fargo", filme que lhe rendeu o Oscar como melhor atriz, na pele de Marge, uma chefe de polícia grávida, que continua como uma das personagens mais conquistadoras do cinema. À direita, Frances McDormand em "Três Anúncios Para Um Crime", filme que já lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz e pode lhe render seu segundo Oscar na mesma categoria, pela atuação como Mildred, que atravessa por uma grande tragédia e exige justiça; personagem que vem para marcar como uma das mais destemidas do cinema. Interessante notar que, em "Fargo", ela fazia parte da polícia e, em "Três Anúncios Para Um Crime", ela confronta a polícia e, em ambos os filmes, suas personagens tem um humor fatal. É dessas peculiaridades que o cinema se faz. Viva Frances McDormand, viva!

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Cartaz: LOU

" 'LOU' conta a história real de Lou Andreas-Salomé, intelectual alemã, que revolucionou sua época"



Mulher à frente do seu tempo, revolucionária e fora dos padrões sociais. Estas são algumas das definições que podem ser dadas à intelectual Lou Andreas-Salomé, que escandalizou a sociedade alemã no final do século XIX com a maneira com a qual quebrava as regras. O filme “LOU”, que está em cartaz desde 11 de janeiro, narra a sua trajetória pioneira.

Dirigido por Cordula Kablitz-Post, o longa traz a atriz Katharina Lorenz no papel da lendária escritora. Nascida em 1861, em São Petersburgo, Lou cresceu com a promessa de que nunca iria se apaixonar. Passou toda a juventude perseguindo a perfeição intelectual e arrasando corações de filósofos intelectuais com seu jeito audacioso e dona de si. Entre os homens que conquistou, estão os filósofos Paul Rée e Friedrich Nietzsche. Com Freud, ela aprendeu sobre psicanálise e reconheceu seus traumas de juventude.

Até que seu plano de se manter invicta ao amor foi por água abaixo quando conheceu o até então desconhecido escritor Rainer Maria Rilke, por quem se apaixona. “LOU” revela a vida aventureira da escritora, seus conflitos entre autonomia e intimidade e o desejo de viver sua liberdade.

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De Volta

"Primeiro longa metragem de cineasta libanesa entra em cartaz no Brasil"



Este filme é de 2015 e (ainda bem) vai entrar em cartaz no Brasil, distribuído pela Esfera Filme. A cineasta libanesa Jihane Chouaib dirige aqui a extraordinária Golshifteh Farahani, que interpreta Nada, que está voltando para casa. Ou ao menos é o que ela gostaria. Quando ela chega de volta ao Líbano, se dá conta que se tornou estrangeira em seu próprio país. Mas ainda há um lugar que pode chamar delar: uma casa abandonada, em ruínas, assombrada pela presença de seu avô que desapareceu misteriosamente durante a guerra civil. Algo aconteceu nesta casa. Algo violento. Nada é uma jovem mulher em busca desta verdade e em busca de si mesma. Este filme passou por vários festivais, desde 2015 e em 25 de Janeiro chega ao Brasil.

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Senhoras e senhores: o novo Gus Van Sant

"Ao som de 'Isolation', de John Lennon, novo filme da lenda viva, Gus Van Sant, tem Joaquin Phoenix e Rooney Mara, e promete comoção"



"Mala Noche", "Drugstore Cowboy", "Garotos de Programa", "Gênio Indomável", "Elefante", "Últimos Dias", "Paranoid Park" e "Milk - A Voz Da Igualdade", olha, é um desafio inviável decidir o nosso filme  predileto desse cineasta extraordinário que Gus Van Sant, que acabou de ser homenageado no Festival Mix Brasil, é! Agora ele retorna, depois de "O Mar de Árvores", que dividiu opiniões em 2015, com este filme chamado "Don't Worry, He Won't Get Far On Foot" (tradução literal: "Não se preocupe, ele não vai longe a pé"), uma história real e que, pelo que vemos no trailer, parece ser comovente. A Amazon lançou cartaz e trailer do filme, que será exibido na seleção oficial do Festival de Sundance 2018 e que parece também ir para o Festival de Berlim.

No filme, Joaquin Phoenix interpreta John Callahan, um alcoólatra que fica tetraplégico, após um acidente. Movido pela namorada interpretada por Rooney Mara e pelo personagem de Jonah Hill, ele entra para o AA e, posteriormente, se envolverá com desenhos, retomando seu sentido em viver e descobrindo o poder de cura da arte. O cineasta Van Sant adapta aqui a autobiografia escrita pelo próprio Callahan, em 1990, que depois escreveu uma segunda autobiografia e morreu em 2010. Callahan foi molestado aos 8 anos, começou a beber aos 12 e chegou a afirmar que usava o álcool para esconder a dor do abuso. O filme conta no elenco também com Olivia Hamilton, Jack Black e Beth Ditto; precisamos também falar da curiosidade em se ter um "segundo casal" formado por Rooney Mara e Joaquin Phoenix, que também estão exibindo uma dualidade no filme "Maria Madalena", que também estreia em 2017. "Don't Worry, He Won't Get Far On Foot" está previsto para Maio lá fora e ainda sem data no Brasil.

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Ontem (16), no cinema, 2 amores antigos:



61 anos de Ricardo Darín ~ Quando se fala em cinema argentino, é o nome dele que pipoca na cabeça e, vamos combinar, que ator extraordinário! De 10, pelo menos 8 dos filmes mais badalados do cinema argentino contam com ele. Aos 3 anos de idade participou de uma série, mas foi em 1968 que começou a filmar e não parou mais, dando início a uma carreira já de 50 anos. Se tornou o ator predileto do cineasta Juan José Campanella, com quem fez filmes arrebatadores, como "O Filho da Noiva" e "O Segredo dos seus Olhos", que venceu o Oscar. Brevemente veremos seu novo trabalho, "A Cordilheira". Qual filme com Ricardo Darín você gosta mais? 

70 anos de John Carpenter - Uma lenda do cinema, este cineasta responsável por "Halloween - A Noite Do Terror", com esse mesmo filme, em 1978, ajudou a definir o tom dos filmes de terror e do subgênero "slasher", a partir desta obra-prima. Foi o seu terceiro longa, trazia homenagens para Hitchcock, tinha estilo e características únicas, como a desconstrução da fragilidade da sensação de segurança e proteção, principalmente dentro das residências, elevando o nível do terror e do medo. Carpenter faria ainda outros filmes marcantes como "O Enigma de Outro Mundo", "Os Aventureiros do Bairro Proibido" e"Eles Vivem", numa carreira de mais de 50 anos.

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Um monstro chamado Doug Jones ❤



Tem dois nomes que são sinônimos da melhor das junções entre ator e artista, com trabalhos impecáveis debaixo de maquiagens surreais ou submetidos a efeitos igualmente surreais; um é Andy Serkis (o inesquecível Gollum de "O Senhor Dos Anéis") e o outro é, sem dúvida, Doug Jones, que tem feitos os monstros mais antológicos do cinema (e de séries também). Em "O Labirinto Do Fauno", Doug se duplicou nas criações memoráveis das duas criaturas, o Fauno (foto à direita) e o Pale Man. Agora, em "A Forma Da Água", filme que está fazendo Guillermo Del Toro (com quem Doug trabalha há tanto tempo) repetir o mesmo estrondo de "O Labirinto Do Fauno", Doug Jones vem causando frisson dando vida a criatura "homem anfíbio" (foto à esquerda). Certamente, em breve, será fantástico conferir o impacto desta nova criatura de Del Toro, nos cinemas, em mais uma atuação fascinante de Doug Jones.

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Um novo cartaz especial: Acossado

"Quase 60 anos depois, clássico emblemático de Jean-Luc Godard retorna aos cinemas, com pré-estreia em madrugada dedicada aos 'jovens transviados'"



A década de 50 avançava e Hollywood era um objeto de admiração. Na França, os jovens cineastas não tiravam o termo "teoria de autor" de suas bocas, algo que os impelia a observar melhor as possibilidades que o "fazer cinema" ainda lhe ofereciam, encantados pelo que estava sendo feito nos EUA, mas também na Europa. Esses jovens inquietos, que não saíam das páginas da "Cahiers du Cinéma", eram Truffaut, Rivette, Chabrol, Rohmer e, ele, Jean-Luc Godard. Movidos pelo ímpeto da admiração, creditavam que poderiam dirigir livremente, sem tantas formalidades e ainda trazer modernidade ao modo de construir a narrativa cinematográfica. Nasceu a "Nouvelle Vague". E foi com "Acossado", de Godard, seu primeiro longa-metragem, que o parto aconteceu pro mundo e, que lhe fez, em Berlim, ser premiado com o Urso de melhor direção. No entanto, justiça seja feita, em 1956, a cineasta Agnès Varda, já havia se tornado a mãe da "Nouvelle Vague" com seu filme "La Point-Courte", infelizmente, uma deusa do cinema por tanto tempo nada creditada.

E agora, quase 60 anos depois, a trama simples de "Acossado", mas puramente emblemática, pode (e, por favor, deve) ser conferida nos cinemas novamente, através da inciativa da distribuidora Zeta Filmes, que está retornando clássicos restaurados dessa estatura para o Cinema. No enredo de "Acossado", o ladrão Michel (Jean-Paul Belmondo) rouba um carro para ir à Paris, acaba matando um policial e, já na capital francesa, se apaixona pela estudante americana Patricia (Jean Seberg), quem lhe ajudará a se esconder da polícia. É, na verdade, uma história de amor moderna. A economia da ideia, permitia de forma sublime ao cineasta Godard a distância da formalidade em se filmar, revelava uma inteligência anárquica e iluminava novos caminhos para o desenvolvimento da trama. Havia improvisação nos dias das filmagens, com roteiro elaborado só nos dias e havia uma concordância entre edição, cortes e sequências longas, algo inédito. "Acossado" terá pré-estreia em 19 de Janeiro, durante a madrugada de cinema, batizada de "Noitão", promovida pelo cinema Caixa Belas Artes. Será o "Noitão Especial - Jovens Transviados", celebrando a rebeldia, que abre com a grande exibição de "Acossado" e que segue pela madrugada com as exibições de "Jovens Loucos e Rebeldes", de Richard Linklater e "Bullitt", de Peter Yates, ambos intercalados em duas salas, que também receberão um filme surpresa. "Acossado" estreia oficialmente no Brasil em 1º de Fevereiro. 

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domingo, 14 de janeiro de 2018

Observações: Lady Bird



Amei essas artes, que estão pipocando por aí, pegando esse bom humor visual do filme de Greta Gerwig, artes que são retiradas do próprio filme. Infelizmente, aqui no Brasil, mesmo quando o filme vira uma sensação, sinto falta dessas brincadeiras por parte das distribuidoras, brincadeiras que a gente acaba fazendo por conta própria.

Sobre Greta Gerwig ~ talentosa, extraordinária, Greta já era um espetáculo antes dos filmes de Noah Baumbach ("O Solteirão""Frances Ha""Mistress  America") exibirem uma "Greta para o mundo". Ela fez sua 1ª aparição aos 23 anos de idade na Tv e também no cinema; no cinema, em 2006, foi no filme "Lol" de Joe Swanberg, que já era um dos cineastas do movimento de cinema independente "Mumblecore", surgido pós anos 2000 com Andrew Bujalski. E não é que Greta caiu como uma luva? Virou a musa do mumblecore e fez vários filmes. "Lady Bird" é o primeiro filme que Greta dirigi sozinha; em 2008 co-dirigiu com Swanberg "Nights and Weekends". Greta também trabalhou com Woody Allen em "Para Roma, Com Amor" e, recentemente, afirmou que não trabalhará mais para o diretor, frente as renovações das acusações de abuso sexual que surgiram contra Woddy Allen. Ela disse que, se soubesse o que sabe agora, não teria trabalhado com ele. É o talento, a honestidade e a transparência de Greta que parecem estar fazendo de "Lady Bird" um dos candidatos mais fortes a saírem vitoriosos da cerimônia do Oscar/2018. Greta é "A" revelação desta temporada. 

Sobre Saoirse Ronan ~ a pronúncia do nome de Saoirse continua um desafio até para ela, pronúncia que fica em algo do tipo "Sãrcha", mas tem "tutoriais" no youtube pra gente fazer a lição de casa. Agora, o que não é um desafio é a convicção de como Saoirse é uma atriz extraordinária. Ela filma desde os 9 anos de idade, mas foi revelada mesmo no arrasador "Desejo e Reparação", com 13 anos de idade, com uma atuação assombrosa e, pela qual, foi indicada ao Oscar (e, particularmente, ainda acho essa atuação sua maior obra-prima). Depois veio uma segunda e boa indicação para ela ao Oscar, por "Brooklyn". Agora, ela que já venceu o Globo de Ouro, caminha para sua terceira indicação ao Oscar, aos 23 anos de idade, com chances, embora pareça que já está decidido ser o ano de Frances McDormand. A verdade é que, em "Lady Bird", Saoirse parece estar tão a vontade e cabendo tanto dentro do papel, que vai ser difícil não se sentir marcado por essa atuação. Em breve será vista em "Mary Queen Of Scots", que também vem chamando a atenção. 

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Rooney Mara é Maria Madalena ❤ #MaisCinema



Vai ser um prazer ver Joaquin Phoenix como Jesus Cristo! A Universal divulgou em Dezembro o cartaz desta aguardada produção que conta com Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Chiwetel Ejiofor e Tahar Rahim.  Chamado de "épico bíblico", este filme é dirigido por Garth Davis, depois do seu sucesso na direção de "Lion", também com Mara e também com Nicole Kidman e Dev Patel. A previsão de lançamento de "Maria Madalena", lá fora, é para Março de 2018 e, depois, chega ao Brasil pela Universal.

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sábado, 13 de janeiro de 2018

Estavam com saudade de " JUNO " ? " TULLY " está chegando




Estavam com saudade de " JUNO " ?
Diablo Cody + Charlize Theron + Mackenzie Davis + Jason Reitman = " TULLY "   < 1º teaser de " TULLY " >
Essa roteirista e esse cineasta, ambos maravilhosos, que nos entregaram sua maior obra-prima, que continua sendo " JUNO ", estão de volta. Depois de trabalharem com Charlize Theron em " JOVENS ADULTOS ", é com ela que retornam em " TULLY ". 
Obs.: reparem na imagem de Charlize Theron, extremamente "ao natural", completamente abatida. Amei!

Essa dupla tem feitos as desconstruções mais ácidas e bem humoradas do cinema americano e, em " TULLY ", é hora de desconstruir o romantismo do "ser mãe", com Charlize Theron lá desgastada, mãe de 3 filhos e que, de repente, "ganha" a babá Mackenzie Davis e uma relação, bem íntima, vai surgir daí. Estreia prevista para Junho no Brasil.

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Cinéfilas, cinéfilos, em Janeiro, pela Versátil, temos:



BLAXPLOITATION (Caixa com 02 DVDs)

“Blaxploitation”, caixa com 2 DVDs que reúne 4 clássicos do pulsante cinema negro norte-americano dos anos 70 em inéditas versões restauradas, além de uma hora de vídeos extras, incluindo um documentário sobre o gênero e uma entrevista com a icônica Pam Grier.

BLAXPLOITATION – ED. LIMITADA COM 4 CARDs (Digistack com 02 DVDs)
“Blaxploitation Vol. 2”, digistack com 2 DVDs que reúne 4 clássicos do vibrante cinema negro norte-americano dos anos 70 em inéditas versões restauradas, além de uma hora de vídeos extras, incluindo especiais com depoimentos de astros do movimento. Edição Limitada com 4 cards. 

CINEMA POLICIAL (Caixa com 02 DVDs)

“Cinema Policial”, caixa com 2 DVDs que reúne 4 clássicos policiais inéditos dirigidos por grandes diretores como Michael Mann, Walter Hill, Peter Yates e Don Siegel e estrelados por astros como Robert Mitchum, James Caan e Walter Matthau, além de uma hora de vídeos extras.

CINEMA POLICIAL VOL. 2 – ED. LIMITADA COM 4 CARDs (Digistack com 02 DVDs)

“Cinema Policial Vol. 2”, digistack com 2 DVDs que reúne 4 clássicos policiais inéditos dos anos 70 estrelados por astros como Michael Caine, Walter Matthau, Bob Hoskins e Roy Scheider, além de quase uma hora de vídeos extras. Edição Limitada com 4 cards. 

MALCOLM X – EDIÇÃO ESPECIAL (DVD duplo)

“Malcolm X”, a aclamada obra-prima de Spike Lee (“Faça a Coisa Certa”) com o astro Denzel Washington (“Dia de Treinamento”) em Edição Especial em DVD duplo, que traz o filme em versão restaurada, além de mais de duas horas de extras, incluindo making of, cenas excluídas e o excelente documentário “Malcolm X” (1972), com narração do ator James Earl Jones.
O carismático líder Malcolm X, que durante sua adolescência descobriu o islamismo, teve seu pai assassinado por membros da Klu Klux Klan. Ele se torna um fervoroso religioso, criando um movimento de pacificação entre as raças. A luta pelos direitos dos negros tornou Malcolm X um dos mais importantes líderes afro-americanos da história. Indicado ao Oscar por Melhor Ator e Melhor Figurino. 

Compras pelo site da Versátil. 

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Lars Von Trier, pela Versátil, em Fevereiro

Com entrega a partir do dia 07 de fevereiro, a Versátil relança Lars Von Trier em dose tripla:

1 - Medeia, raro filme do polêmico diretor dinamarquês realizado a partir de um roteiro não filmado do mestre Carl Theodor Dreyer (A Paixão de Joana D’Arc) baseado na célebre tragédia grega de Eurípides.
2 - Dançando no Escuro, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. É uma das obras-primas do cineasta. Esta Edição Especial apresenta o filme no formato widescreen anamórfico, com mais de uma hora de extras, incluindo o documentário inédito “Os 100 Olhos de Lars Von Trier”.
3 - Os Idiotas, mais uma obra-prima do diretor, e o segundo filme realizado sob as normas do manifesto Dogma 95, que exigia, entre outras coisas, câmera na mão, iluminação natural e ausência de música. Esta Edição Especial traz mais de uma hora de extras, incluindo uma longa entrevista de Lars e um impagável vídeo musical com o diretor e o elenco. 

Entregas a partir de 7 de Fevereiro. Compras pelo site da Versátil. 

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Com Amor, Van Gogh: Obra-prima nas plataformas digitais

"Obra-prima da animação está em cartaz nos cinemas, nas plataformas digitais e, em 24 de Janeiro, será um prazer adquirí-la em DVD"



⭐Quando se exalta um resultado no cinema, se contempla uma soma e se deixa claro que não está se falando de um resultado tampouco gratuito ou banal. De forma que o cinema, arte, ciência e pensamento, continua a se reinventar, a resgatar seus ideais e a arrebatar a humanidade. Então, pensemos em: 88 minutos de duração de uma animação 100% feita por pinturas a óleo. São 65 mil pinturas e cada segundo dos 88 minutos exibem uma média de 12 quadros pintados a mão. A partir de 2012 um número de 5000 pessoas se inscreveram para participar deste projeto, depois 600 pessoas foram chamadas para 3 dias de provas práticas e, posteriormente, 125 artistas foram selecionados para trabalhar. A tarefa desafiadora dessas pessoas seria reproduzir as técnicas de Vincent Van Gogh, pós-impressionista, em sequências inspiradas pelas pinturas do mestre, seguindo uma trama mui original e que incorpora cerca de 120 de suas obras. Então, pode acreditar, esse feitio todo artesanal gera um resultado esmagador na tela do cinema, que as nossas Tvs nunca poderão reproduzir, porém (todavia), quem não teve condições de assistir nos cinemas, agora já pode assistir a essa obra-prima através das plataformas digitais ou em DVD, para compra ou locação, a partir de 24 de Janeiro. E, vai dar pra sentir um pouquinho da experiência, como em alguns momentos, a impressão de ser possível ver o óleo escorregando sobre a tela.

⭐É um tributo, é uma homenagem, é um resultado de paixão da artista e diretora polonesa Dorota Kobiela, feito junto com seu marido, o britânico Hugh Welchman, que transformaram um estúdio em Gdansk na Polônia, no abrigo desse exército de artistas, vindos de várias partes do mundo. Extremos ao critério, decidiram a produção na Polônia porque lá se encontra um sistema de aprendizado rigoroso com pintura a óleo. Uma das curiosidades mais impressionantes está justamente no desafio de reproduzir a textura inigualável de Van Gogh, o que na tela tem um efeito quase palpável, fruto do brilho das cores e de uma beleza tridimensional. Dorota explica que a dificuldade consistia em iluminar as telas sobre as quais os artistas pintavam de forma uniforme, pois no museu elas são iluminadas de forma direcional para que, quem observe, veja as sombras sobre ela, evocando suas texturas. Foi um dos maiores desafios garantí-las.

⭐A história acompanha Armand Roulin, um ano após a morte do pintor, filho do carteiro amigo de Van Gogh, que recebe a tarefa de entregar uma carta a Theo, irmão do pintor, mas que morreu também. Acontece que Armand, ao refazer a última jornada de Vincent, fica surpreso com a reação de muitas pessoas que foram seus últimos contatos. Curioso, vai se transformando aos poucos num "detetive", intrigado com os relatos das pessoas sobre a morte do pintor, que se assumem como verdades ou inverdades e que suspeitam da figura do médico, que teria se frustrado na tentativa de se tornar um pintor. A narrativa imaginada pelos cineastas é colorida no presente de Armand, mas branca e preta nas lembranças dos personagens que constroem a figura de Van Gogh, que surgem nos flashbacks mais criativos que se poderiam imaginar. 


⭐Acerca desta imaginação criativa presente no uso das cores, há uma curiosidade: Dorota explica que num primeiro momento Armand enxerga o mundo como Vincent enxergou (pense-se também na perspectiva) e num segundo momento temos a lembrança das memórias dos personagens, temos Vincent em suas memórias e que, a partir daí, temos histórias que Vincent não poderia pintar. Esta é uma comunicação sublime para uma animação que emerge da linguagem das pinturas de Van Gogh e que é realizada sob o espírito do que ele mesmo disse, do quanto se comunica sob as pinturas. E, incrivelmente, Dorota ainda explica que a mudança na tonalidade teria ainda o sentido de descansar o espectador depois do efeito vibrante e pulsante das cores.

⭐Que faça-se claro o resultado poderoso desta animação. É revigorante testemunhar o entusiasmo de cineastas que imaginam façanhas para o cinema e se comprometem até o fim com seus desafios. Certamente será uma conquista justa se "Com Amor, Van Gogh" levar o Oscar em 2018. Que faça-se claro também afirmar que esta realização deveria-se, num primeiro momento, ser consumida no cinema, havendo condições. Não há explicações para o resultado. E, "pra não dizer que não falei das flores", que surpresa estonteante ver o olhar e a beleza da extraordinária Saoirse Ronan se transformar como um quadro de Vincent Van Gogh, é inexplicável. 

" COM AMOR, VAN GOGH " - Loving Vincent - Dir. por Dorota Kobiela e Hugh Welchman - UK\Polônia - 2017 - Distribuidora no Brasil: Europa Filmes - Exibidor para o Mais Cinema: Caixa Belas Artes

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Gary Oldman está no rumo do Oscar



O ator Gary Oldman caminha para dezenas de vitórias durante a "temporada de premiações/2018". Vencedor do Globo de Ouro de melhor ator, sua atuação em "O Destino De Uma Nação" (em cartaz no país), onde interpreta Churchill em suas primeiras semanas como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, chega pra ser "A" atuação da temporada. O filme é dirigido pelo ótimo Joe Wright (de "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação"), é escrito por Anthony McCarten (que retorna após sua indicação ao Oscar por "A Teoria de Tudo") e que também está escrevendo "Bohemian Rhapsody", o aguardado filme onde o ator Rami Malek interpreta Freddie Mercury, previsto para Dezembro de 2018. "O Destino De Uma Nação" já está no clima do Oscar. 

Joe Wright só faria o filme com a condição de que Oldman interpretasse Churchill, certo de que ele traria algo de novo para o papel, que ninguém havia ainda mostrado, mas o ator era mais jovem que o personagem e também se recusou a ganhar peso, em torno de uns 80 kilos. Foi então que a maquiagem surgiu como a salvação. Gary Oldman enfrentou por aí de 3 a 5 horas diárias de maquiagem durante os meses de gravações, além das próteses que usou, . Ele foi maquiado por Kazuhiro Tsuji, indicado a 2 Oscars, grande maquiador de filmes como "Planeta dos Macacos""O Curioso Caso de Benjamin Button" e "Hellboy" e que já estava aposentado, mas que foi seduzido pelo próprio Gary a entrar no projeto. Deu tudo certo e, pra ajudar, o estúdio de Kazu ficava a meia-hora da casa de Gary. Por fim, é interessante dizer que elementos como o Brexit e a eleição americana, que levou Trump ao poder, ajudam a ressonância do olhar para "O Destino De Uma Nação", segundo o próprio diretor, em se tratando de discussões de liderança. 

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Primeiras Impressões: Os Iniciados

ASSISTIMOS EM EXIBIÇÃO ESPECIAL PARA A IMPRENSA NO DIA 09/01
ESTREIA NOS CINEMAS EM 18 DE JANEIRO

~ Homossexualidade ~ O cineasta John Trengove imagina tensões sexuais trágicas cavalares entre homens negros gays. Não te basta esse esboço? Imagine, então, que esta imaginação do cineasta se movimenta numa comunidade africana rudimentar, que existe desde o século 17, a comunidade do povo "Xhosa"; imagine, também, que o conflito desses homens, centrado em sua homossexualidade, se desencadeia durante um dos famosos rituais de passagem desse povo, o Ukwaluka ou Ulwaluko, uma circuncisão "ao ar livre" que marca a entrada para a vida adulta. Enquanto a pele do pênis é lascada (que é de onde o título original, "ferida", encontra um significado poderoso), esses meninos gritam "Sou homem, sou homem!". Pois é, enquanto se segue um forte período de afirmação da masculinidade, membros se amam as escondidas, sob um olhar, a princípio também escondido, mas que se revelará fatal.

~ Belíssimo ~ Esta ficção tem uma narrativa de tom neo-realista, com a câmera perseguindo a perspectiva de seu personagem principal e formando também, em muitos momentos, enquadramentos que levantam os contrastes, ora entre as silhuetas dos corpos e o céu, ora entre os corpos e a natureza, ora entre as cores dos rituais e a luz ou do dia ou da noite. A composição da trama é feita, sobretudo, de atores maravilhosos, atraídos pelo cuidado do diretor em trabalhar com gente desconhecida, mas há de se fazer uma boa observação centrada em dois atores: Nakhane Touré, que faz Xolani, que é um músico elogiado e (o espetacular) Niza Jay (na foto do cartaz desta publicação), que faz Kwanda, em perfeita atuação coadjuvante, como o despertar do conflito. O resultado de todos esses elementos é belíssimo. 

~ Moonlight ~ 1 dos 9 pré-indicados ao Oscar/2018 a melhor filme estrangeiro, representando a África do Sul, "Os Iniciados" foi observado, em entrevistas, como um diálogo com "Moonlight". Quando questionado sobre isso e sobre a visão do grande vencedor do Oscar ao retratar masculinidade negra e identidade, John Trengove disse: "Estávamos na pós-produção de "Os Anunciados e "Moonlight" surgiu como uma musa. Ele nos interessou desde que veio a público e nos fez observar o que parecia haver de similaridade temática entre os dois, mas não são similares. Acho que "Moonlight" trouxe um interesse expandido sobre a identidade do gay negro, onde nosso filme encontra um radar global. Um entrevistador me pontuou que há poucos filmes mostrando sexo entre negros, onde "Moonligt" incorre também e para "Os Iniciados" não queríamos mostrar sexo por sexo, queríamos criar um imaginário gay na tela, como sentíamos que não existia no cânon do cinema africano. Pra mim, essa é a distinção entre os dois filmes.".

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Devemos compartilhar sem dó:


Oprah Winfrey já fez muitas manifestações históricas, mas seu discurso no Globo de Ouro do último Domingo, é antológico. Sem mais, deixemos Oprah falar: 



"Em 1964, eu era uma garotinha sentada em um chão de linóleo na casa da minha mãe em Milwaukee vendo Anne Bancroft apresentar o Oscar de melhor ator no 36º Prêmio da Academia. Ela abriu o envelope e disse cinco palavras que literalmente fizeram história: 'O vencedor é Sidney Poitier.' Ao palco subiu o homem mais elegante que eu já havia visto. Eu me lembro que sua gravata era branca e, é claro, sua pele era negra. E eu nunca havia visto um homem negro ser celebrado daquela forma. Eu tentei muitas vezes explicar o que um momento como aquele significa para uma garotinha, uma criança assistindo dos assentos mais baratos enquanto minha mãe vinha pela porta cansada até os ossos de limpar as casas de outras pessoas. Mas tudo o que eu posso fazer é citar e dizer que a explicação está na performance de Sidney em Uma Voz nas Sombras: 'Amém, amém, amém, amém.'

Em 1982, Sidney recebeu o prêmio Cecil B. DeMille aqui no Globo de Ouro, e não ficou perdido para mim que, neste momento, há algumas garotinhas assistindo enquanto eu me torno a primeira mulher negra a ser agraciada com este mesmo prêmio. É uma honra e um privilégio compartilhar esta noite com todas elas e também com os homens e as mulheres incríveis que me inspiraram, me desafiaram, me sustentaram e fizeram a minha jornada até este palco ser possível. Dennis Swanson, que me deu uma chance no A.M. Chicago. Quincy Jones, que me viu em um programa e disse a Steven Spielberg, 'Ela é Sophia em A Cor Púrpura'. Gayle, que tem sido a definição de uma amiga, e Stedman que é a minha âncora 
Gostaria de agradecer à Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood porque todos nós sabemos que a imprensa está sob ataque nestes dias. Mas também sabemos que é a insaciável dedicação a descobrir a absoluta verdade que evita que fechemos os olhos à corrupção e à injustiça, aos tiranos e às vítimas, a segredos e mentiras. Eu quero dizer que eu valorizo a imprensa mais do que nunca enquanto navegamos por estes tempos complicados, o que me leva a isso: o que eu sei é que falar a verdade é a ferramenta mais poderosa que temos. Eu estou particularmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes e empoderadas o suficiente para falarem e compartilharem suas histórias pessoais. Cada um de nós neste salão é celebrado por causa das histórias que contamos, e neste ano nós nos tornamos a história.
Mas não é uma história que afeta somente a indústria do entretenimento. É uma que transcende qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho. Então eu quero esta noite expressar a minha gratidão a todas as mulheres que passaram por anos de abuso e violência porque elas, assim como minha mãe, tinham filhos para sustentar e contas a pagar e sonhos a perseguir. Elas são as mulheres cujos nomes nunca saberemos. São trabalhadoras domésticas e trabalhadoras rurais. Elas estão trabalhando em fábricas, e elas trabalham em restaurantes e estão na academia, na engenharia, medicina e ciência. São parte do mundo de tecnologia, política e negócios. São nossas atletas nas Olimpíadas e nossas soldadas no exército. 
E há mais alguém: Recy Taylor, um nome que eu conheço e acho que vocês deveriam também. Em 1944, Recy Taylor era uma jovem mãe e esposa. Ela estava caminhando para casa da igreja em Abbeville, Alabama, quando foi raptada por seis homens brancos armados, estuprada, e abandonada com vendas nos olhos ao lado da estrada da casa para a igreja. Eles ameaçaram matá-la se ela contasse a alguém, mas sua história foi reportada para a NAACP [Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor], onde uma jovem trabalhadora chamada Rosa Parks se tornou a principal investigadora de seu caso e, juntas, elas buscaram justiça. Mas justiça não era uma opção na era de Jim Crow. Os homens que tentaram destruí-la nunca foram julgados. Recy Taylor morreu há dez dias, pouco antes de seu 98º aniversário. Por muito tempo, mulheres não foram ouvidas ou acreditadas se ousassem falar suas verdades ao poder daqueles homens. Mas o tempo deles acabou. O tempo deles acabou.
O tempo deles acabou. E eu espero que Recy Taylor tenha morrido sabendo que a sua verdade, assim como a verdade de tantas outras mulheres que foram atormentadas naqueles anos e são atormentadas até hoje, segue em frente. Estava em algum lugar no coração de Rosa Parks quase 11 anos depois, quando ela tomou a decisão de ficar sentada naquele ônibus em Montgomery, e está aqui no coração de toda mulher que escolhe dizer, 'Eu também.' E todo homem — todo homem que escolhe escutar.
Na minha carreira, o que eu sempre tentei fazer de melhor, seja na televisão ou em filmes, foi dizer alguma coisa sobre como homens e mulheres realmente se comportam. Dizer como nós sentimos vergonha, como amamos e como odiamos, como falhamos, como recuamos, perseveramos, e superamos. Eu entrevistei e interpretei pessoas que resistiram às coisas mais feias que a vida pode jogar em você, mas a qualidade que todas essas pessoas parecem compartilhar é uma habilidade de manter a esperança por um amanhã melhor, mesmo nos piores dias. Então eu quero que todas as meninas assistindo a isso saibam que um novo dia está no horizonte! E quando este dia finalmente chegar, será porque muitas mulheres magníficas, muitas das quais estão aqui neste salão esta noite, e alguns homens fenomenais, estão lutando para que se tornem líderes que vão nos levar a uma era em que ninguém mais terá que dizer 'Eu também' mais uma vez." 
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

The Square - A Arte Da Discórdia

"O deboche doloroso, que valeu Palma de Ouro!"

FOTOGRAFIA FEITA NO CINEMA CAIXA BELAS ARTES
CARTAZ GENTILMENTE CEDIDO PELA PANDORA FILMES

Se acontecer de você entrar num êxtase e, assistindo "The Square - A Arte Da Discórdia", começar a exclamar com entusiasmo "que filme engraçado, que filme inteligente, que filme insano", saiba que esta é a hora urgente em que a voz da sabedoria deve se aproximar de você, do seu ouvido e sussurrar "menos...menos...".  Não que esta obra magistral não seja tais adjetivos e muitos outros, mas por nada desse mundo, podemos deixar de perceber o quanto "The Square" é mesmo arrebatador, na medida em que vai se descortinando de todas as suas sátiras incrivelmente alicerçadas e vai revelando sua função maestra: deflagrar a decepção que o ser humano vem a ser. Este filme, esta pungente obra, da forma mais astuta como o cinema pode ser orientado, nos prega a peça mais enganosa possível, pois é capaz de nos fazer rir em situações aleatórias absurdas, mas que, quando lidas juntas, revelam seu alvo, que é nos nocautear. 

De fato, em todas as manifestações artísticas, através da comédia, é que se dizem as maiores verdades. É, por unanimidade, o texto mais difícil de ser escrito. Através da comédia é que gerações resistiram a grandes ditaduras, numa luta muitas vezes em vão para que vidas fossem salvas e, por isso, me chama muito atenção a colocação do cineasta Pedro Almodóvar, grande presidente do júri em Cannes/2017, quando ao anunciar "The Square" o grande vencedor da Palma de Ouro, disse: "Esse é um tema sério, mas que é tratado com muita leveza. Vivemos uma ditadura do politicamente correto, que é pior do que todas as ditaduras". Se um cineasta do calibre de Almodóvar fala em ditadura, alguém que vem de um país latino que tem em sua história uma ditadura, então isso me certifica: a Palma de Ouro foi merecida. 

Em "The Square", o curador Christian comanda o museu X-Royal em Estocolmo, capital da Suécia, um museu que, como muitos, é mantido por doações de sexagenários ou octogenários, que detentam grandes fortunas. Ele está as vésperas de inaugurar a exposição intitulada "The Square", concebida por uma argentina, que consiste na ideia de um quadrado transformado em santuário, dentro do qual todos dividem os mesmos direitos e cuidados. Nesses dias, irrompe sobre Christian um infortúnio, ele é roubado a luz do dia no meio de uma praça. Decide, após rastrear o celular roubado e com a ajuda de um funcionário do museu, que vai para a "cohab" onde os ladrões parecem estar, distribuir uma ameaça por escrito, exigindo a devolução dos pertences. A questão é que, como não sabe em qual apartamento estariam esses ladrões, deposita a ameaça na caixa de todos os moradores. Enquanto isso, no museu, dois marketeiros estão a expor uma estratégia ousada para chamar a atenção do público para "The Square" e Christian precisa assiná-la, mas como está preocupado com seus eventos pessoais, assina sem estudar a proposta. 

O esqueleto deste argumento, a grosso modo, é um absurdo só, afinal, duas coisas: como pode Cristian, curador de um importante museu, assinar algo sem ler? Como pode Cristian, uma imagem do homem civilizado europeu, fazer justiça com as próprias mãos? O mais triste é que esse choque vai surpreender ao próprio Cristian, quando sobre ele as consequências de seus atos impensados e egoístas, iniciarem uma cobrança violenta. Ele é tão responsável pelas exibições do museu, quanto responsável pelo que sua ameaça pode causar a vida de alguém, no caso do filme, a vida de uma criança de origem árabe. E o filme segue, oferecendo uma grande "lição de moral", de que as vezes  nossa consciência pode vir tarde demais, ainda que em tempo. Segue também questionando a responsabilidade sobre a arte, no sentido de quem poderia ter tamanha autoridade em ditá-la, em definir o que é ou não é arte. 

Há a tão comentada sequência memorável (que levanta exatamente a mesma discussão da performance do MAM, com o artista nu a ser manipulado), em que um artista de performance representa um primata, para fina plateia de mantenedores do museu, uma performance sem rédeas e que termina cabulosa. Dessa forma, de acordo com o próprio cineasta Ruben Östlund, é a sua forma, de zombar, de debochar e de falar mais do que já havia falando em "Força Maior", quanto a nossa obscuridade e prepotência. Quando perguntado sobre sua inspiração para "The Square", numa entrevista ao "Collider.com", ele respondeu: "Se você olhar para a sociedade sueca em 2008, verá que começaram a ser comunidades fechadas. Se você olhar para essas comunidades, verá uma forma agressiva de dizer "Essas são as fronteiras da nossa responsabilidade. Não assumimos a responsabilidade pelo que está fora do portão". E essas foram mudanças de atitude na sociedade. Somos cada vez mais individualistas". Assim, o cineasta e um amigo, criaram de fato uma instalação artística provocando o pensamente sobre a responsabilidade e a confiança uns pelos outros, instalação que foi para duas cidades na Suécia e duas na Noruega. E daí surgiu o premiado argumento de "The Square - A Arte Da Discórdia".

" THE SQUARE - A ARTE DA DISCÓRDIA " - The Square - Dir. por Ruben Ostlund - Suécia - 2017 - Distribuidora no Brasil: Pandora Filmes - Exibidor para o Mais Cinema: Caixa Belas Artes 

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Hoje, no cinema, é dia de lindezas:



Sarah Polley chega aos 39 anos - Essa canadense indicada ao Oscar é extraordinária! Como atriz, de tantas boas atuações em mais de 30 anos de carreira, tem 3 que são indispensáveis de se assistir, em "O Doce Amanhã", em Minha Vida Sem Mim" e em "A Vida Secreta Das Palavras". Como diretora tem 2 obras-primas obrigatórias, "Longe Dela" e "Histórias Que Contamos". Em 2017 atraiu as atenções com sua adaptação da obra de Margaret Atwood para a TV, a elogiadíssima série "Alias Grace". 

Sam Riley chega aos 38 anos - Esse inglês é o "Ian Curtis" do cinema; ele foi praticamente revelado em "Controle: A História De Ian Curtis", a direção espetacular do cineasta Anton Corbijn, centrado no vocalista da banda Joy Division. De lá pra cá, esse bom ator, recebeu bons projetos, como "Na Estrada""Suíte Francesa" e "O Vale Sombrio", dentre outros. 

Também hoje: Evis Presley faria 83 anos; William Hartnell (o eterno "Doctor Who") faria 110 anos; e o insubstituível David Bowie faria 71 anos, já chegando na data de 2 anos de seu falecimento.

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Ciganos Da Ciambra



Quero agradecer de todo o meu coração, mais uma vez e vou agradecer sempre, essa lindeza da Pandora Filmes que, em carinho e respeito ao meu trabalho de luta, enviou com exclusividade aos canais "Daniel Serafim Mais Cinema" o filme " CIGANOS DA CIAMBRA " (título com o qual o filme "A Ciambra" foi batizado para ser exibido no Brasil) e que entrará em cartaz nos cinemas brevemente. Eu sou apenas um instrumento e, como blogueiro de cinema, meu ofício é difundir ao máximo possível o filme que será lançado. Não é uma tarefa fácil e não é "de graça" sair do interior de São Paulo como um "zé ninguém" e erguer um trabalho do 0 num meio com dezenas de profissionais. É com atitudes de incentivo e solidariedade, como as da Pandora Filmes, a quem agradeço de coração, que nos fazem erguer a cabeça, focar e ordenar ao trabalho que ele exista. A minha gratidão é de coração!  Sobre o filme:

De Cannes/2017, indicado pela Itália para representar o país na disputa por ser indicado ao Oscar/2018 como melhor filmes estrangeiro, o filme integrou o "Festival de Cinema do Rio de Janeiro" e brilhou no foco especial à Itália durante o festival. Em A Ciambra, uma pequena comunidade romana na Calábria, Pio Amato não vê a hora de virar adulto. Aos 14 anos, ele já bebe, fuma e é um dos poucos a circular com facilidade entre os grupos da região: os italianos locais, os refugiados africanos e o grupo de ciganos Romani. Pio tem como referência seu irmão mais velho Cosimo, com quem aprende como se virar nas ruas de sua cidade natal. Quando Cosimo desaparece, Pio vê uma oportunidade para provar sua maturidade, mas logo se encontra diante de uma decisão que colocará tudo à prova. Premiado na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2017.​

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domingo, 7 de janeiro de 2018

Entre ontem e hoje, no cinema, só gente que mora no meu coração



Dia 6 - Rinko Kikuchi (merecidamente indicada ao Oscar por "Babel") chegou aos 37 anos; Eddie Redmayne (o Stephen Hawking do cinema, grande vencedor do Oscar) aos 36 anos;  Rowan Atkinson (o Mr. Bean, 7 vezes indicado o BAFTA) aos 63 anos; Jérémie Renier (grande ator dos irmãos Dardenne em "A Promessa", "A Criança" e outros) aos 37 anos; o cineasta Vincenzo Natali (de "Paris, Te Amo" e "Splice - A Nova Espécie") aos 49 anos; e o grande cineasta Anthony Minghella (grande vencedor do Oscar por "O Paciente Inglês") faria 64 anos, completando em 2018 10 anos de falecimento.  

Dia 7 - Ruth Negga (grande indicada ao Oscar por "Loving") chegou aos 36 annos; Nicolas Cage (grande vencedor do Oscar por "Despedida Em Las Vegas") aos 54 anos; Jeremy Renner (indicado a 2 Oscars, por "Guerra ao Terror" e "Atração Perigosa") aos 47 anos; Max Riemelt (o alemão de "Sense 8") aos 34 anos;  William Peter Blatty (escritor de "O Exorcista", roteirista do filme e grande vencedor do Oscar) faria 90 anos; Ingrid Thulin (grande atriz de Bergman em "Morangos Silvestres", "Gritos E Sussurros" e outros) chegou aos 14 anos de falecimento; e  Luís Sérgio Person (histórico/icônico cineasta brasileiro, de obras-primas como "São Paulo, Sociedade Anônima", "O Caso Dos Irmãos Naves" e outros) chegou aos 42 anos de falecimento. 

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sábado, 6 de janeiro de 2018

Jovem Mulher

"A direção da cineasta Léonor Serraille é um prazer notável e conta com uma das atuações mais memoráveis do cinema em 2017: Laetitia Dosch, deslumbrante!"

FOTOGRAFIA FEITA NO CINEMA CAIXA BELAS ARTES
CARTAZ GENTILMENTE CEDIDO

Você precisa prestar atenção em como se introduz e em como se estabiliza a personagem deste filme incrível. A história do cinema é marcada pela introdução de grandes personagens homens, gerados por outros homens e transformados em imagens míticas. Em "Jovem Mulher", a cineasta estreante Leónor Serraille convocou um exército de mulheres (os principais departamentos deste filme são praticamente todos de mulheres) para produzir seu filme e, assim, dar um sentido muito mais emblemático ao seu maior tesouro: uma personagem extraordinária (indiscutivelmente um dos dez melhores personagens do cinema em 2017) compreendida de forma deslumbrante pela talentosíssima Laetitia Dosch, uma atriz de 37 anos, diva do cinema indie francês, revelada num sucesso chamado "La Bataille De Solférino" (que permanece inédito no Brasil) e que foi vista por aqui em "Meu Rei" e "Um Belo Verão". O resultado de todo o talento do filme de Leónor lhe rendeu o grande prêmio "Câmera de ouro" em Cannes/2017, dedicado ao melhor trabalho de estreia de cineastas.

Esta personagem, chamada Paula Simonian, que tem um olho de cada cor, está batendo numa porta, aos berros, vorazmente. Está tentando retornar para casa do seu "crusch" depois de um tempo fora. Dá uma cabeçada na porta e adquiri uma ferida. No hospital ela rouba um casaco tom de terra vermelha e volta pra calçada do apartamento do homem berrar ainda um pouco. Encontra o gato de estimação, solto pela rua e, desistindo de chamar a atenção, o leva consigo. Num local, pra tentar esconder a ferida, ela arruma o cabelo ruivo esvoaçante cobrindo a testa. Pronto: parece estar pronta para o combate ou para sua jornada, que se inicia, a partir daí e que não tem mais volta. Ela não é do tipo que obedece, muito menos do tipo que se submete e, se tiver que lapidar alguma coisa em si, vai evoluir por conta própria. Paula é apaixonante, dona de si mesma e mui esperta. Sem rumo, sem dinheiro e sem teto, engana uma mulher no trem que é sua amiga das antigas e vai pra casa dela. Depois, arruma um serviço como babá e conquista a criança, fazendo estripulias. E, por fim,  com esforço, consegue um emprego fixo numa loja de calcinhas, o que, de quebra, vem com outro "crush".

Há uma liberdade tão grande de Laetitia dentro dessa personagem, que fica difícil saber (no maior dos elogios) onde termina a atriz e começa a personagem. Muitos comentários mencionaram o cinema de John Cassavetes por essa forma em como Leónor propõe a máxima do "estudo de personagem", mas, para além das referências, o que ela propõe mesmo é a vida dessa jovem mulher, encontrando ela própria sua vida em Paris, um lugar com o qual ela mesma não se identifica, mas dentro do qual terá que viver. A partir de uma porta fechada, ela toma sua vida e a faz e refaz. Em alguns momentos, mesmo em desespero, ela relê, à sua forma, aspectos de seu passado, como em sua aproximação com sua mãe. Também, com bom humor, se projeta, como na entrevista de emprego onde diz ser calma, tendo sido um vulcão à poucas horas. Ou seja, é uma composição riquíssima, é uma direção de Leónor nada agressiva, estipulando que a câmera se dê ao prazer de ser conduzida por Paula Simonian. 

Como dito acima, em dados momentos do cinema, imaginou-se tantos personagens homens complexos, uma transmissão cultural que parecia duvidar que personagens mulheres não pudessem caber tantos aspectos complementares. No entanto, filmes como o de Leónor Serraille são símbolos de uma leitura feminina e ao mesmo tempo universal. Imaginar uma personagem, ao auge dos seus 30 anos de idade, que independente da geração a qual a sociedade tende a catalogá-la, que está transitando por cenários e descobertas, e que tem uma identidade, essa imaginação é a mais crível e a mais triunfante nestes tempos. Paula Simonian parece fazer sua armadura, de cabelo ruivo, de casaco, com uma ferida na testa (uma espécie de "emblema") e carregando um gato, mas a medida em que demonstra como sua força vem de dentro para fora, ela se desarma. No final, numa belíssima cena de tons azuis refletidos por todo o cenário, reina o olhar intenso de Paula, o olhar de cores diferentes. 

" JOVEM MULHER " - Jeunne Femme - Dir. por Leónor Serraile - França - 2017 - Distribuidora no Brasil: Zeta Filmes - #52FilmsByWomen 

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Senhoras e senhores: os 77 anos de Hayao Miyazaki



Ontem (5) o mestre/gênio/artista/cineasta Hayao Miyazaki chegou aos seus 77 anos de vida e sinto ser uma obrigação homenageá-lo, ainda que singelamente. Ainda procuro dentro do meu coração, mas sem esperança nenhuma, uma explicação para a forma como os filmes de Miyazaki conseguem me emocionar, conseguem me fazer evoluir sempre um pouquinho mais como pessoa e como conseguem renovar a experiência que o cinema é. Na verdade, acho que não quero essa explicação, eu quero apenas sentir mesmo! E estou bem mais feliz depois da notícia que o mestre desistiu da aposentadoria e vai dirigir mais um filme, cujo título foi revelado: "Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka", o que equivale a "Como Você Vive?".

A contribuição de Hayao Miyazaki, seu investimento artístico e a liberdade criativa que protege, são valores inestimáveis, que transformam sua existência no cinema em patrimônio; sim, quase um patrimônio da humanidade. São 77 anos de vida, com quase 55 anos trabalhando, reconhecido com 2 Oscars e com, pelo menos, 4 obras-primas que permanecem sem rival na história do cinema. Segundo Jean-Michel Frodon, crítico de cinema francês, Miyazaki surge elevando a outro patamar uma discussão que existiu em algum momento no cinema, lançando a contradição se desenhos animados ou animações, poderiam ser cinema. O crítico diz que, se havia ainda alguma dúvida, é com a obra-prima, "A Princesa Mononoke", que uma pedra cala todas essas vozes. 

Em suas animações as plateias se derretem com o visual impossível criado por Miyazaki e/ou com o nível cavalar da inventividade das histórias que cria, contudo, talvez seja em outro elemento que esteja o seu maior penhor: o vazio. São nos momentos de contemplação, onde seus personagens não estão envoltos as ações e estão apenas respirando em alguma sequência mais demorada, que mora a riqueza que nenhum outro cinema consegue captar. Na célebre entrevista que Hayao concedeu ao igualmente célebre Roger Ebert, quando Ebert pergunta exatamente sobre esse elemento de seus filmes, recebeu uma resposta antológica: "Temos uma palavra pra isso em Japonês. É chamada de MA, que significa "vazio" e isso está lá intencionalmente. As pessoas que fazem cinema tem medo do silêncio, estão preocupados com o aborrecimento da plateia e se um filme for 80 por cento intenso, não significa que as crianças vão te "abençoar" com a sua concentração. O que realmente importa são as emoções subjacentes". 

Dessa forma Hayao nos diz que esse "espaço" que preserva é o espaço fértil da alma, das emoções, da verdade, da singularidade, daquilo que não precisamos ouvir, mas apenas sentir. É a "brecha", é a pausa, é outra peça que também forma a vida, o silêncio, e deveria ser um exercício obrigatório. Seus filmes são peso-pesado e em nenhuma outra animação ocidental se vê crianças enfrentando desafios tão torturantes como em suas animações, e ele constrói essas imagens com audácia e poetismo etéreo. É, de fato, a melhor das leituras da vida, a melhor das contra-partidas, que recebemos no ocidente. Como eu disse, pelo menos 4 de seus filmes, são obras-primas incomparáveis: "Meu Amigo Totoro", "A Princesa Mononoke", "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado". Nesses 77 anos deste mestre é o caso de dizer que: contra fatos, não há argumentos. Viva Hayao Miyazaki!

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