quarta-feira, 27 de setembro de 2017

BLADE RUNNER 2049: PRIMEIRAS REAÇÕES INTERNACIONAIS

"Por que você não deve perder Blade Runner 2049:

Porque respeita, ama e reverencia o filme de 1982, abraçando sua estética, sua visão e suas ideias, e expandindo, reposicionando e aprofundando todas elas.

Porque é um filme de ideias, envolvido pelo poder de uma narrativa/estética sci fi. Refletimos sempre melhor sobre o que acontece agora, perto de nós, quando acompanhamos as mesmas questões longe de nós.

Porque nos envolve e nos desafia. A prestar atenção. A pensar junto com os personagens.

Porque é ao mesmo tempo sci fi, ação, mistério, poema visual e proposta filosófica.

Porque todo o elenco é maravilhoso.

Porque o rigor estético de Denis Villeneuve é realizado plenamente na... não tenho adjetivos... fotografia, direção de arte, trilha.

Dicas -
1. prestem atenção em cada personagem. Estamos num mundo de ilusões, e o sensacional roteiro brinca com isso. Eu ia ficar passada com um elemento da trama e, subitamente, fui pega no alçapão do roteiro.
2. vejam no melhor cinema possível. Se tiver IMAX, é esse,
3. pra quem é fã do primeiro - notem as referências lindas. Inclusive na cena final. Principalmente, aliás."
[ Crítica de Cinema; texto de sua página no facebook]

""BLADE RUNNER 2049" foi um dos filmes mais impressionantes que á vi. É deslumbrante e te trnsporta. Denis Villeneuve tem uma obra-prima."
Jenna Busch [Legionofleia.com, ComingSoon.net]

"Eu vi "BLADE RUNNER 2049". Não posso dizer muito, mas...amei!"
Roth Cornet [Screen Junkies]

"Surpreendente... Mais do que apenas uma maravilha visual, é uma obra-prima da ficção científica e inovadora."
JimmyTotheO [Joblo.com]

""BLADE RUNNER 2049" é fenomenal. Visualmente impressionante, com as raízes noir brilhando através de um aperto e de um mistério tortuoso. O melhor de 2017 até agora. Denis Villeneuve é um dos diretores da elite dos cineastas  e não há desculpas se Roger Deakins não ganhar o Oscar."
Eric Eisenberg [CinemaBlend.com]

"Eu vi "BLADE RUNNER 2049" e é fodidamente incrível!"
Kevin Polowy [Yahoo, MTV, NextMovie, Moviefone e URBMaggazine]

"Boas notícias! "BLADE RUNNER 2049" é uma ótima continuação e expande o original. Não esperava muito, acabei por AMAR. (Mesmo Leto!)"
Jordan Hoffman [The Guardian, Vanity Fair, Times]

"Vi "BLADE RUNNER 2049". Parece incrível, os personagens e as performances são fortes, permanece fiel ao original, mas há falhas."
Simon Thompson [ENews, Reuters, Forbes...]

""BLADE RUNNER 2049" é uma obra-prima da ficção científica; o tipo de filme de gênero profundo que não vemos mais. Visualmente alucinante, absolutamente fantástico! Eu acho que este "Blade Runner" é melhor que o original, e também prova que Denis Villeneuve é o diretor mais emocionante que trabalhando neste momento!"
Erik Davis [Fandango, CBS]

"Todos se inclinam para Denis Villeneuve. Ele fez o impossível e acertou em cheio imensamente com "BLADE RUNNER 2049". Amei. Mesmo que você não esteja interessado neste filme, a fotografia de tirar o fôlego de Roger Deakins vale sua admissão. Ele é um Deus."
Steven Weintraub [Collider.com]

"Tudo o que posso dizer sobre "BLADE RUNNER 2049" é ... dêem agora o Oscar a Roger Deakins. O visual é absolutamente impressionante."
Jesse Hawken [Torontoist]

"Eu vi "BLADE RUNNER 2049" e é de tirar o fôlego. É um acompanhamento impressionante, preservando mistérios, adicionando novos e expandindo o universo."
William Bibbiani [Crave OnLine, BMovies Podcast, Canceled Cast]

"BLADE RUNNER 2049" é absolutamente impressionante e uma obra-prima da ficção científica. Levou os efeitos especiais para um outro nível. Um dos melhores filmes de 2017."
Umberto Gonzalez [The Wrap]

"Denis Villeneuve e Roger Deakins atingiram o máximo. É lindo, com muitas camadas e uma história emocional. Construído por trás do original, faz seu próprio caminho, construindo um mundo e uma história maravilhosos. É o melhor do ano!"
Andy Signore [ ScreenJunkies ]

"Uma coisa: "BLADE RUNNER 2049" não é o filme thriller-ação-amigável-policial-sci-fi, que você estava preocupado que poderia ter sido. É pesado, poderoso."
Ali Plumb [ Radio 1, BBC e 1Xtra's ]

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que significa essa foto?



Na foto da esquerda tenho em minhas mãos "A PAIXÃO DE CRISTO " e por que?
Hoje, Jim Caviezel, pra mim o melhor e maior Cristo que o cinema já teve (sim, pra mim, Dani Serafim, superou todos e qualquer um), completa 49 anos de vida, com mais de 25 anos de carreira. Na minha visão, tanto o filme, quanto a atuação de Jim, são dessas coisas pra se lembrar no cinema, incansavelmente. 
Além dele, hoje aniversariam: Linda Hamilton (61), Olivia Newton John (69) e Jill Soloway (52); 17 anos do falecimento de Gloria Stuart e 9 anos do falecimento de Paul Newman.

Na foto da direita tenho em minhas mãos " WALL STREET: PODER E COBIÇA " e por que?
Ontem, Michael Douglas, vencedor do Oscar pelo filme, completou 73 anos de vida. O filme está completando 30 anos de existência e me custa a crer que Michael Douglas já é um veterano, quase ultrapassando 50 anos de trabalho.
Além dele, os outros aniversariantes foram: Will Smith (49), Mark Hamill (66), Catherine Zeta-Jones (48), Clea Duvall (40), Michael Madsen (60), Pedro Almodóvar (68, comemorarei mais), Mikael Persbrandt (54) e Robert Bresson (faria 116 anos).

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domingo, 24 de setembro de 2017

Uma nova foto de perfil: Mãe!

Fotografia tirada no Caixa Belas Artes especialmente para mudança dos perfis do Mais Cinema pelas redes sociais:
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Sai a foto de "De Canção Em Canção" em meus perfis e entra a foto com "Mãe!"

Porque uma obra-prima dessas merece!

Num mundo onde fazemos de nossas opiniões e interpretações verdades absolutas, e que por conta disso agimos como animais, mas não seria nem como animais, porque até animais dão um show de civilidade em tantos momentos! Nesse mesmo mundo, o cineasta Darren Aronofsky realiza um filme que justamente provoca, como nenhum outro, a interpretação de cada pessoa que o assiste, a opinião de cada pessoa, a visão de cada pessoa e um filme que, se assim não for, não significa absolutamente nada. É uma grande parábola bíblica? É! Mas se fosse só isso seria cafona e brega demais, pois, além de já termos assistido zilhões de parábolas bíblicas, elas já não fazem mais sentido num mundo que precisa urgentemente independer de qualquer forma e ditadura, para que enfim entregue a criatura humana seu pleno desenvolvimento e liberdade. E o filme de Darren Aronofsky consegue escapar de todas as parábolas que reencena, porque Darren Aronofsky (não é de hoje), como bem disse em entrevistas, está incomodado com esse "deus" que fica lá criando tudo, já sabe que tudo não vai dar certo e que fica refazendo tudo, se tudo der errado. É subversivo, é transgressor, compõe sua art-house com virtuosismo artístico, o filme é cômico também, chega a ser violento e, por vezes, ofensivo. E tudo funciona, ele consegue chocar aos desavisados (e a intenção é chocar mesmo) e ele consegue superar aos que não se encaixam com o espírito desse mundo. E, do começo ao fim do filme, sua narrativa é um tiro, ela nos intriga pela estranheza das ações e pela forma evasiva como afeta Jennifer Lawrence. Repare: Jennifer é desrespeitada, ignorada, humilhada, roubada, violentada, o tempo todo invadida. O que isso significa pra você? Quanto ao ranço das parábolas bíblicas, ele está incomodado com esses códigos do antigo testamento, que tentam explicar nossas origens e que tem nos mantido presos em concepções que nos violentam; e ele está incomodado com os códigos do novo testamento, que pregam o amor verdadeiro, mas, que de acordo como convém a criatura humana, se vive pela escolha e pela aparência, e não pela verdade. Filme que combina, brilhantemente, várias narrativas cinematográficas, "Mãe!" é, de fato, a realização mais autoral e obra-prima, de um cineasta que já surpreende desde o início da carreira. "Mãe!" é uma criatura de vários olhos, é um filme multifacetado e é um filme plural; é um filme que, enfim, consegue equacionar todos os elementos que já se repetem nos filmes do cineasta Aronofsky e que agora, enfim, encontraram um canal perfeito.

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sábado, 23 de setembro de 2017

De Canção Em Canção

Após receber o material da Supo Mungam Films, fotografei na Livraria Toque De Letras, em Itatiba\SP

A impressão que tenho é que, depois da obra-prima "A Árvore Da Vida", todo filme de Terrence 
Malick sai dali de dentro. Ou que "A Árvore Da Vida" lhe tenha oferecido uma união perfeita para expressar como, nas últimas camadas de nós mesmos, sempre chegaremos ao nosso vazio existencial, e sempre chegaremos às duras contrações do existir. Ele tem o talento de tomar seus personagens pela mão, entrar com eles dentro de um labirinto íntimo e caminhar até um terreno onde, enfim, possamos chegar a compreensão de que, no fim, o que resta é absolutamente nós, do início ao fim da vida. Os personagens de Terrence Malick são como bebês ou como crianças e parece que sempre alguém tem que tomá-los pelos braços ou pelas mãos, ou muito amorosamente, ou muito severamente. No entanto, há uma riqueza nesses personagens, na medida em que vão, justamente, se desintegrando e se enxergando solitários. Por isso, em "De Canção Em Canção", a fluidez da câmera de Malick faz tanto sentido, num filme que narra encontros amorosos, que nunca dão certo e que não chegam a lugar nenhum. Os personagens estão sempre acabando, sempre chegando ao fim e seus encontros, quando parecem estar começando, não conseguem se sustentar. Uma das belezas desse filme é ser um filme de finitudes. E dá muito certo, pois percebo como, incrivelmente diferente dos dois filmes anteriores, "Amor Pleno" e "Cavaleiro De Copas", "De Canção Em Canção" tem uma narrativa romântica, desconstruída e espinhosa, narrada pela busca do que há de existencial dentro dela. O resultado, ao meu ver, retorna à uma equação em Malick, que não se via desde "A Árvore Da Vida" (embora eu goste muito dos filmes que vieram depois), na união das propriedades do seu modo de filmar e do seu texto, que dão numa contemplação existencial perpétua.

Com essa breve observação, me despeço da fotografia com o cartaz de "De Canção Em Canção", que esteve em todas as minhas fotos de perfil em meus canais. E agradeço de coração a Supo Mungam Films por ter respeitado e incentivado meu trabalho, me enviando o material antes do lançamento do filme para que, por ele, eu pudesse trabalhar. Estou sempre a disposição! Uma nova fotografia está chegando!

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Os queridos do cinema nesse dia 21



Stephen King e seus 70 anos de vida - Aclamado, amado e um dos mais adaptados em todas as esferas, o notável escritor e o predileto de muita gente, que trabalha há mais de 40 anos, só em 2017 ganhou, pelo menos, 3 realizações de suas obras: a série "O Nevoeiro" e os filmes "Torre Negra" "It - A Coisa"

Bill Murray e seus 67 anos de vida - Indicado ao Oscar, este grande ator e humorista, tem mais de 40 anos de profissão e o talento de ser sempre conquistador. 

Luke Wilson e seus 46 anos de vida - Ele, que trabalhou junto com Bill Murray em "Os Excêntricos Tenenbaus", participou de muitos filmes notáveis, numa carreira de mais de 20 anos.

Ethan Coen e seus 60 anos de vida - Vencedor do Oscar, com seu irmão Joel Coen, cineasta e roteirista extraordinário, é um dos maiores nomes do cinema, também ao lado do irmão e trabalha desde a década de 70.

François Cluzet e seus 62 anos de vida - Do hall dos atores franceses mais extraordinários, este parisiense está passando dos 40 anos de profissão, numa carreira premiada e de filmes notáveis.

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Marina Abramovic falou a Darren Aronofsky sobre " MÃE! "



Querido Darren

Vi algumas críticas de "MÃE!" e uma delas disse que era o pior filme do ano. Eu só quero lhe dizer minha opinião: eu fiquei muito emocionada com este filme. Os atores que você escolheu são incríveis e o som é muito inovador.
Na minha vida, meus primeiros trabalhos dos anos 70, foram destruídos quando ficaram prontos. Eu era tão mal avaliada pela crítica, mas agora aqueles mesmos trabalhos são considerados "históricos" e "pioneiros". Você teve a coragem de expor o lado mais sombrio da natureza humana e do amor incondicional. Quando você não tinha mais nada para dar, você arrancou seu próprio coração. Esse filme é tão complexo com tantos níveis. Acho, se não esta geração, que a próxima entenderá. Uma boa obra de arte tem muitas vidas.

Com amor,
Marina

A artista postou sua manifestação a Darren Aronofsky hoje em sua página.
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BLURAY \ DVD: Mulher-Maravilha

Fotografei com o bluray na Zero Vídeo Locadora para divulgar a disponibilidade do filme em mídia

"Que revolução! Um filme extraordinário, que transcende as discussões de gênero, que orienta as mesmas discussões e que funciona, em tudo, do começo ao fim!" 


Não tem exagero, o filme não tem "problemas", tudo está no ponto certo e no lugar. Disse e repito: é tão bom, que teria todo o talento para alcançar a temporada de premiações\2018. As cenas de ação são virtuosas, visualmente belíssimas e feitas sob uma medida exemplar. Gal Gadot é extraordinária e, quando está em cena, promove uma satisfação, promove um deleite, que ocasiona um impacto magnânimo; tem talento, tem carisma, tem elã e sua personagem é um encontro, como há tempos não se vê no cinema, entre um fascínio pela criatura, uma curiosidade pela mesma e um descontrole, o mais instintivo possível, da defesa pela vida. E Gal Gadot concretiza essa personagem da forma mais cristalina. Quando sua personagem encontra Chris Pine, o que se desenvolve entre os dois não é nada piegas, fora ou dentro de algum prumo ou clichê. Acima de qualquer outra coisa, o interesse crescente de um pelo outro se dá pelo que enxergam nas atitudes, pelo que eles tem dentro de si e não dá nem tempo de surgirem concepções de homem e mulher. Quando discordam, se atraem, mais que se afastam (esqueça a velha "guerra dos sexos"). Quanto a ela, um único interesse: acabar com a guerra que está matando tantas pessoas. E é esse o grande trunfo do filme visionário imaginado pela cineasta Patty Jenkins.

Mencionando a crítica de cinema Isabela Boscov, da revista Veja, esse é o filme do "pós-pós-feminismo" e não é o filme do conflito entre os gêneros ou coisas dessa estirpe. No filme de Patty Jenkins o lugar e o espaço é adquirido com propriedade, com substância, pela evolução, com concretude, sem olhar pra trás, com talento e tanto a cineasta, quanto a personagem, estão alinhavadas nesse interesse. É um marco a direção de Patty Jenkins, um trabalho que só se moveu a fazê-lo, quando estivesse de acordo consigo mesma (e não foi fácil); através desse momento, quando Patty Jenkins realiza esse trabalho, a discussão de gênero em Hollywood, mergulha em outra tonalidade, a tonalidade que afirma que, se ainda não haviam sido, a partir de agora, as barreiras desintegram-se, no melhor dos sentidos em serem superadas, pois o papo passa a ser de pessoa para pessoa, o papo vai ser tratado de pessoa para pessoa e Patty consegue imprimir essa consumação. No filme, tanto Steve Trevor, quanto Diana, se sintonizam o tempo todo (bem como as pessoas ao seu redor a eles), acima de qualquer outra coisa, até que salvem vidas. É como que se, por acaso, houvessem outras questões, as mesmas se superassem, dilatando seus interesses além deles mesmos e os projetando no mundo no seu redor. Não tem submissão, não tem briga, não tem estereótipo, não tempo pra isso, o único tempo gasto é em salvar vidas. Porém, tem entendimento, tem respeito, tem compreensão e tem uma lição a ser dada. E que lição! Diana acha que se acabar com o deus da guerra, acaba com a guerra, mas não é assim, afinal, como explica a própria cineasta "tornar-se um herói não é como a gente pensa, porque não existe um vilão, está em nós e nós temos uma responsabilidade coletiva em se tornar pessoas melhores e somente isso vai salvar o mundo". Portanto, incorporam-se aqui o virtuosismo técnico com a capacidade de transmitir algo que seja urgente, necessário e que nos ajude na orientação ao que almejamos, mas, talvez, não da forma que nos deixe ainda na difusão criada pelas nossas discussões, porém como uma luz apontando para o entendimento. É arrebatadora a sensação de que essa luz e esse entendimento são elementos ofertados a construção de uma sociedade pelas mãos e pela inteligência de mulheres, as quais somam-se Patty Jenkins e Gal Gadot, de quem as mãos já tem renovado Hollywood.

" MULHER-MARAVILHA " - Wonder Woman - Dir. por Patty Jenkins - EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Warner - Visto na pré-estreia por convite especial da rede de cinemas Multiplex, unidade Itatiba\SP #52FilmsByWomen
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sofia Loren


Patrimônio e monumento do cinema, hoje o próprio cinema se curva aos 83 anos de vida de uma de suas rainhas máximas: Sofia Loren.

Romana, Sofia Constanza Brigida Villani Scicolone, é uma das poucas atrizes ainda vivas, que estão na história do cinema e que pertencem a outra era do cinema;  e que, tanto foi dirigida (dos irmãos De Sica a Robert Altman), como contracenou (de Marcello Mastroianni a Daniel Day-Lewis), com ícones tão imortais, quanto ela. E, claro, pra esses mesmos ícones, o prazer foi deles em ter ao lado uma das maiores riquezas existentes. Grande vencedora do Oscar como melhor atriz em 1962 por "Duas Mulheres", são 83 anos de vida, com quase 70 anos de trabalho e por tudo isso hoje nos curvamos a Sofia Loren!

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

It - A Coisa: Diamante não lapidado

"Sem novidades, mas competente! Se evitasse partir de clichês, tornava-se imbatível!"




Se já era difícil para o terror reinventar-se, agora com a onda do pós-terror, vai ficar ainda mais. Levando em conta essa observação, é possível perceber em "It - A Coisa" como, por pouco, poderia deixar de fazer sentido. Fui pesando tudo na minha balança e tive a impressão de que talvez "It - A Coisa" seja o tipo de filme (bom filme) que, neste momento do gênero no cinema, consegue ficar entre os filmes de James Wan e os filmes do pós-terror. Gosto do esforço e do talento do cineasta argentino Andy Muschietti, que consegue encorpar (e pesa a mão, sem discrição, mas se sai bem) suas principais cenas e sequências de terror, mesmo partindo elas de grandes clichês. Enxergo como essas cenas e sequências não se tornaram descartáveis graças a matéria prima que as protegeu e que dá brilho ao filme. Sim, o livro escrito por Stephen King. E, frente a esse elogio, gosto de como esse trabalho de Muschietti, pelo menos pra mim, é inegavelmente superior a seu trabalho anterior, o filme "Mama".

Me incomoda em "It - A Coisa", ainda no desenrolar de sua primeira hora, a sensação de que fica faltando um espaço entre alguns blocos. Quando os pesadelos de cada um dos personagens começa a ser exposto, me incomodo com os pulos de um para o outro, como se me dissessem "agora é a hora desse", "agora é a hora desse aqui" ou "agora vamos a esse". Fico com a sensação de que falta alguma coisa. Consolavelmente, terminadas as exposições, o filme segue diminuindo essa sensação e encaminhando sua história, embora eu também ache que quando todos os 7 personagens percebem que devem se unir, falta um arrebatamento concentrado no afeto e na amizade, próprios ao espírito dos textos de Stephen King, cujo melhor exemplo continua sendo o de "Conta Comigo" e (me é inevitável não falar disso) que a série "Stranger Things" consegue reproduzir sem fazer esforço.

Um cadáver, a assombração, fantasmas, ou seja, elementos preguiçosos, mas estendidos com personalidade por Muschietti e algumas de suas sequências conseguem ser apavorantes. Porém, óbvio, a maior diversão é quando Pennywise se revela e que causa um temor feroz. Deve-se dar o crédito ao trabalho do ator sueco Bill Skarsgard que, logo no começo quando surge com seu palhaço\monstro, impressiona completamente. Ele conseguiu ficar em cartaz ao mesmo tempo em 2 filmes, "Atômica" e "It - A Coisa". Porém, o que realmente é apavorante em "It - A Cioisa" é o sofrimento que cada um dos personagens enfrenta, seja o bullyng, a violência, a agressão, o abuso sexual, o preconceito; e o filme cresce justamente neste medida, em que cria dessas violências o combustível para os eventos assustadores (e as alegorias, alumas lindamente bizarras, se levantam como gigantes) que irrompem contra eles. Na melhor das sequências, a garota Beverly (a notável Sophia Lillis), vítima do pai abusador, é banhada de sangue dentro do banheiro, de forma medonha. E o resultado da sequência, que só faz sentido pra ela e pra mais ninguém, é desesperador.

Num todo, o resultado deste filme do diretor Andy Muschietti, é bom; além de competente, se vale do bom trabalho dos talentos do jovem elenco, onde cada um alcança seu tom; se vale do trabalho de toda produção e se vale também da velha lição de que "juntos somos mais", que aqui se renova mais uma vez e que, dificilmente, não ganha o público. E gosto de pensar que, se não tivesse feito suas principais cenas e sequências, sob a obviedade, certamente seria imbatível. Vi gente dizendo ter tido a sensação de que o filme parece mais um longo episódio de "Stranger Things" ou parece como um filme "sessão da tarde". Já eu, mesmo não me apropriando dessas definições, não acho que essas manifestações deixam de reconhecer os talentos do filme, mas que reconhecem também que o resultado talvez não seja tão redondo assim.

"It - A Coisa" - It - Dir. por Andy Muschietti - EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Warner
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Em DVD: Personal Shopper

Para celebrar o DVD, procurei a Zero Vídeo Locadora em Itatiba\SP , para fotografar.

"Excelente!

Encantam os mistérios, com qualidade intrigante e mediúnica, e encanta como a história se torna surpreendente."


De fato, há aqui um exercício instigante, curioso e provocador, do grande cineasta francês Olivier Assayas. Não foi à toa que ganhou o prêmio de direção em Cannes\2016. Entre seus talentos nesta realização, há de se observar sua magistralidade em transformar celular, mensagem de texto e seus derivados (tecnologia, com sutileza), em promovedores de tensão. É palpável o resultado do seu inventivo desejo criativo, com a qualidade de desvendar um ambiente desconhecido e evocar, brilhantemente (como um primo distante), o resultado da obra-prima "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas", grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes\2010. O cineasta disse, em entrevistas, que não é dever do cinema buscar respostas, mas sim de criar a ilusão, ao mesmo modo que a fé também não deixa de ser uma ilusão. Dessa forma, ao fazer um filme sobre mediunidade, obtém elementos criativos e faz surgir uma tônica para trabalhar o aspecto ilusório, também proposto pelo cinema em si. É dessas coisas inexplicáveis que o cinema se faz, em permitir a um cineasta flertar com um outro espectro do cinema, exercitando sua narrativa e produzindo, para si e para o público, o resultado dessa atração.

A personagem de Kristen Stewart, Maureen, tenta uma comunicação com o irmão que faleceu dentro da casa em que ele viveu para, assim, a pedido da cunhada, liberar o imóvel para venda. A atriz se alterna entre essa atuação e a atuação como personal shopper para uma celebridade, chamada Kyra, para quem ela é que escolhe como se vestirá e que jóias usará em eventos. É uma riqueza observar as posturas diferentes da personagem nas duas situações, pois, enquanto como médium, é completamente afetada pelo esforço incerto da comunicação com o mundo dos mortos, como personal shopper, consegue permanecer intacta, mesmo estando sujeita a frieza da relação com sua contratante, alguém que pertence a outro mundo. As tentativas de Maureen em se aproximar de Kyra são um náufrago, tamanha a distância que há entre as duas. E as tentativas de Maureen em se aproximar do irmão morto, também teriam tudo para ser um náufrago e, no entanto, trazem um surpreendente entendimento. 

É interessante observar como Kristen Stewart constrói, maravilhosamente, sua personagem, oferecendo-lhe uma postura impenetrável e é um dos pontos fortes desta bela atuação. Nós não sabemos quando ela se demonstrará frágil. A personagem não busca a relação sobrenatural de modo banal, mas com um propósito e disso não se afasta. As cenas em que está próxima do desconhecido são memoráveis e a atriz se exibe em nível cavalar de concentração, o que nos interliga surpreendentemente a ela. Ela consegue trazer uma sinergia. Mas não só à essas cenas, também as cenas em que decide ceder a distância com a patroa e veste, enfim, suas roupas e usa suas jóias, o que também invade por um aspecto de autoconhecimento da personagem e sua identidade, são de uma beleza singular.  Este filme tem um tempo próprio e é isto também que me faz apaixonado pelos filmes únicos de Olivier Assayas. Escutar com calma os sons assustadores que aqui são produzidos do silêncio, ser pego de surpresa no suspense dramático (e tenso) que lá pelas tantas se instaura e consumir a visão de um cineasta desta envergadura, imaginando eventos paranormais, se utilizando de elementos de gênero, sem se apropriar dos gêneros que se utiliza, tudo isso demonstra o talento e o nível de visionário que há neste cineasta. Na tela do cinema o espetáculo é surpreendente. Que, em casa, no silêncio do cômodo e na qualidade das aparelhagens, que este espetáculo se repita.

"Personal Shopper" - Personal Shopper - Dir. por Olivier Assayas - França - 2016 - Distribuidora no cinema: Imovision - Distribuidora em dvd: Universal 

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sábado, 16 de setembro de 2017

Mãe!

"Magnífico! Selvagem! Visceral! Chocante! Insano! Ensurdecedor! Sufocante! Inexplicável e inacreditável!"

Foto tirada no Caixa Belas Artes em SP

A tarefa de escrever ou falar sobre "Mãe" para um público que ainda não assistiu ao filme é, certamente, trabalhe você com cinema ou não, uma das mais desafiadoras desta década. E aviso: quanto menos você souber, melhor, pois dificilmente se conseguirá segurar um spoiler, sobre um filme que, da primeira à última cena, carrega toda sua verdade. E saiba: esqueça trailer e esqueça sinopse (ignore o marketing), não é, em nada, como você imagina, espera ou desconfia. Porém, goste você de Darren Aronofsky ou não; compreenda você um pouquinho ou não sobre como se obtém um resultado de cinema elevadíssimo, como o próprio cinema anseia e pode alcançar ou atingir (ou que ainda possa ser desconhecido e descoberto por seus autores, como é o caso de Aronofosky); compreenda você um pouquinho destes detalhes ou não, tudo o que é preciso deixar bem claro é: este filme é uma tamanha aberração artística (sim, este é o maior dos elogios que eu poderia fazer), no sentido de como expande e dilata todas as suas concepções, composições e elementos. Ao mesmo tempo é o ápice de um surrealismo no cinema, como há muito tempo não se vê. Não à toa, você vai sair do cinema e imediatamente vai querer conversar com alguém (ou permanecerá num silêncio perpétuo), mas não se dê por vencido, ele vai grudar em sua cabeça pelas próximas semanas, meses e, muito provavelmente, pelos próximos anos. 

Uma casa. Um casal: Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Alguém bate a porta, é atendido e fica. Depois chega mais alguém e fica. Tudo estranho, incontrolável, angustiante e Jennifer Lawrence a reprovar, mas sendo vencida o tempo todo. As estranhezas continuam, atitudes inaceitáveis começam a dominar o ambiente e eventos inesperados se poem a depredar o que tem pela frente. E Jennifer Lawrence sofre, sofre e resiste até onde pode. Pois bem, o que se verá neste filme é um peso e um caos por todos os lados. Enquanto a casa se tornará toda ela, impossivelmente, o palco do mundo, da história e boa parte do que se já viveu (principalmente de ruim), Jennifer Lawrence representa a humanidade, a vida, a existência, a parte dessas peças (que formam nossa compreensão de vida) que foi roubada, invadida, flagelada, rasgada, tomada, tirada, vilipendiada, massacrada, exposta até as suas vísceras e, neste ponto do parágrafo, deixo pra você a tarefa de continuar com o que mais vier na sua cabeça. Máximas bíblicas vão sendo colocadas abaixo da sarjeta: pra mim, era impossível presenciar o que Jennifer Lawrence vivia e não pensar no livro bíblico de Romanos, capítulo 8, entre os versículos 21 e 23, mais especialmente no 22 que diz:  "sabemos que até hoje toda a criação geme e padece, como em dores de parto" (não, não sou religioso, apenas conheço um "dedo mindinho" sobre religiões). Máximas dos pilares da sociedade também vão abaixo: seja das convenções, pelas quais as sociedades se tornaram um grande embuste, ou seja da vida privada que a humanidade ainda não consegue proteger, com um mínimo de zelo.

Dezenas de símbolos se amontoam nas sequências memoráveis criadas por Aronofsky, são dezenas de referências em ebulição, porém este filme também traz as cenas mais angustiantes, chocantes e, por vezes bizarras, que você poderia ver. O filme cresce ferozmente, na medida em que Aronofsky assume que está esfregando tudo na cara da gente e muitas das situações que nos causam enjoo, para bom entendedor, em meia palavra bastam. Uma das pessoas com quem conversei após a sessão disse  (em tom de elogio) "ele fez de maneira ofensiva em muitos momentos", outra pessoa disse "é uma ode a mulher"e uma outra pessoa disse "sei que é cedo pra dizer, mas é o melhor Aronofsky até agora". As expressões das sensações sentidas variam entre "parece que um trator passou por cima de mim" ou "tive a sensação de ter levado um soco". Eu mesmo, particularmente, tinha a sensação de um pesadelo do qual não conseguia acordar ou aquela sensação de uma lâmina cortando a parte mais sensível do meu corpo. Após a sessão os comentários eram de que, facilmente, pode ser indicado ao Oscar de melhor diretor (e que direção minha gente, que direção!), melhor atriz (fecharei o texto falando disso), melhor atriz coadjuvante para Michelle Pfeiffer (que, em cena, é um assombro, então, pra mim, até o presente momento, não consigo pensar em outra atriz, o Oscar é dela), melhor edição de som (veja nas melhores salas, os ruídos são de uma beleza palpável) e até melhor filme ou roteiro.

Quanto a Jennifer Lawrence, se ainda há alguma dúvida ou contrariedade contra ela, espero firmemente que "Mãe" caia como uma pedra por cima disso. No filme ela é como uma obra-prima, como uma criação máxima, é filmada como que de modo sacro e traz, seja na pele ou no olhar, uma pureza cristalina, sensível ao toque. Porém, parte da montanha russa em que o filme se transforma (Aronofsky definiu seu filme assim), se deve a entrega, aos flagelos e a resistência da personagem de Jennifer. Se dá na medida em que abre mão da sensibilidade e se desintegra nas mãos de todos. Eu não tenho dúvidas, a qualidade que a atriz ofereceu a Darren Aronfosky para construir uma atuação absolutamente catártica, é quase antológica, é memorável. Este filme vai pra lista dos 10 melhores do ano

"Mãe!" - Mother! - Dir. por Darren Aronofsky - EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Paramount - Pré-estreia exclusiva no Brasil, em 15\09\2017, no Caixa Belas Artes
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Columbus



"A graça de conhecer alguém e a graça em saber fazer disso um bom filme!"


Fotografei com o banner lindíssimo do filme no Reserva Cultural

A cidade de Columbus (Indiana\EUA), no filme "Columbus", é o melhor lugar. Melhor lugar para ficar impressionado com as construções, da cidade que é considerada a meca da arquitetura moderna; e melhor lugar para o encontro, completamente no acaso, entre Casey e Jin. Casey é uma bibliotecária seduzida pela arquitetura e que vive um conflito interno com a mãe, ex-viciada. Jin é coreano, tradutor, filho de uma das referências da arquitetura por ali e que retorna para Columbus, para acompanhar o coma do pai. E, de repente, entre uma grade, Casey e Jin parecem experienciar uma "deixa" da vida e se conhecem. Sem nenhuma pressa, sem nenhuma urgência, sem nenhum mecanismo sobre o qual o tempo pese sobre eles, ambos passam a se encontrar, quando possível. Mesmo sendo filho de um grande arquiteto, ele não tem um tamanho encantamento pela arquitetura dentro de si e, entre ele e Casey, esse será um dos combustíveis dos seus papos. A jovem o levará a várias obras famosas, apresentará o que lhe encanta em cada uma delas e debaterão. À certa altura, haverá uma revelação do quanto já estão enamorados um pelo outro. Mas não é essa a graça deste filme, altamente conquistador, do cineasta Kogonada. A grande graça é como conhecer alguém (ou como todas as vezes que conhecemos alguém) ainda pode ser um gás e, nesse sentido, repare como Casey passa a buscar Jin. 

Outra graça deste filme é justamente, em épocas apressadas, de relações duvidosas, instantâneas, onde mesmo laços de amizade, parecem estar destinados a poucos; em épocas onde as relações estão sob a permissão das tecnologias em nossas mãos; em épocas onde é raridade no cinema encontrar a dócil qualidade do uso do tempo, sem ser maçante e do uso da compreensão de câmera, na composição da imagem e na pintura dos personagens; justamente na amplitude de épocas assim, é um estado de graça surgir um filme que preenche todas essas lacunas, com muito talento. Ao mesmo tempo em que este filme surge como um bálsamo entre o próprio cinema independente, que nem sempre parece se reinventar, também é incrível por outro lado; ele não deixa de apontar para vários clichês, próprios desses filmes de encontros e desencontros, mas faz isso com uma capacidade de releitura, que é um primor. Aliás, já que falamos de encontros e desencontros, vale dizer que, guardadas as devidas proporções, este filme está para "Encontros E Desencontros", de Sofia Coppola; está para filmes como "Sideways - Entre Umas E Outras", de Alexander Payne, ou mesmo está para "Um Beijo Roubado", de Wong Kar-Wai.

Interessante no filme de Kogonada em como ele não usa a contemplação da paisagem arquitetônica como um aspecto sublime na narrativa, mas em como transforma o interesse pela construção no desenvolvimento dos personagens que, este sim, promove uma contemplação entre eles, mas por etapas e uma contemplação dos mesmos pelo expectador. Dessa forma, estamos falando de uma qualidade incomensurável do cineasta Kogonada, que tem o objetivo de abrir a compreensão humana e de dar tempo ao tempo. Há uma riqueza em perceber os personagens. Numa das melhores cenas, Casey bate à porta de Jin, o convida para dar uma volta e ele recusa ao máximo, mas, por uma razão inexplicável, de repente se vê sem reação e vai. Por isso, em determinado momento, um clichê é revitalizado, sem agravante, quando Eleanor (a mulher do seu pai) diz a Jin "você ama esse menina, está amando ela". Logo, o conhecimento e a familiaridade com Columbus, se transformam num cenário, como os cenários onde eu e você estamos (e o filme também quer dizer que o encontro de Casey e Jin não é uma exclusividade do cenário proposto por Columbus), e que pode ser palco de bons reavivamentos em nossos encontros.

Além da beleza da câmera de Kogonada, quem tem espíritos de Yasujiro Ozu; além da beleza dos deslocamentos das passagens dos personagens, que tem espíritos de Jim Jarmush; e além da qualidade do tempo e do olhar através dele, que tem espíritos de Richard Linklater (por quem Kogonada tem fascínio); Haley Lu Richardson (vista recentemente em "Fragmentado" e "Quase 18"), que faz Casey, é uma revelação, dona de uma naturalidade que nos ganha de imediato; John Cho (de "Star Trek"), que faz Jin, é outro prazer em cena; e também quero dar crédito a Parker Posey (de "Café Society"), que faz Eleanor e que, em cena, consegue roubar a atenção (detalhe para a primeira cena em que ela está no bar com Jin, é impossível tirar os olhos dela). O Resultado de "Columbus" é uma das boas surpresas deste ano, bem recebido pelos festivais em que passou e, não tenho dúvidas, vou ficar de olho em Kogonada.

"Columbus" - Columbus - Dir. por Kogonada - EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Supo Mungam Films 
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Na Praia À Noite Sozinha



"Kim Min-Hee é extraordinária! Hong Sang-Soo é um mestre! Apenas!"


Foto tirada no Cinesesc em SP
Numa das cenas mais extraordinárias de mais esse grande filme do sul-coreano Hong Sang-Soo, a talentosíssima Kim Min-Hee, em sua personagem Younghee (mais uma das melhores personagens do ano) está à mesa bebendo com os seus e, embriagada, poe pra fora o que parece estar entalado em sua garganta. A personagem, que até então parecia estar fragilmente guardada dentro do seu sobretudo preto, que se portava de forma acuada e que mais parecia alguém atravessando por um luto, de repente se transforma e deixa todos sem reação. Esbraveja, tem picos histéricos, acusa que os que estão a sua volta não sabem nada do amor, proclamando uma pérola, ao dizer que "você tem que ser qualificado para amar"; ela grita e toma conta da extensão da mesa, sem sair do lugar. E decide em que momento a cena encerra, propondo beijar a amiga do lado, como que num "cansaço de homens" e nem deixa muito tempo para que a amiga pense, lasca-lhe um beijo. Aliás, a mesa toda termina se beijando, menos um dos personagens, o que dá a deixa para uma piada no texto: "você não é qualificado para amar".

Se todo o filme de Hong Sang-Soo se passasse em volta desta mesa, se aproveitando tão bem de todas as nuances que Kim Min-Hee consegue atingir e se aproveitando do timing extraordinário com que essa cena é dirigida, seria uma obra-prima sem igual. É uma sequência de um tato tão concreto, como não se vê sempre no cinema. No entanto, este filme tem começo, meio e fim, e faltou pouco para não ser uma obra-prima; tem estrutura dividida em partes; cada parte, com duração própria, dando um sentido a Younghee, que está tentando se recomeçar (repare que não é tentando "recomeçar a vida", mas é "se recomeçar"); tem uma outra sequência de mesa, filmada com o mesmo tato da anterior, porém com outro tom, um tom de enfrentamento e recohnecimento entre os personagens, à base do encontro eles, que também é um espetáculo; e, por fim, esse filme tem a maestria de um dos maiores cineastas da atualidade e um dos cineastas mais prolíferos. Ele, que pode facilmente ser apelidado de "o nouvelle vague", filma o banal, mas, se você abrir bem os olhos e prestar bem atenção, vai explorar a riqueza de tudo o que, para nós é simples chamar de banal (a personalidade de Younghee, nossas conversas, nossos encontros, nossas cervejas, os assuntos que falamos, os pesos que carregamos ou que queremos desperceber) , mas que guardam as pulsões da vida (ou da existência).

Começa na Alemanha e vai pra Coreia. Younghee, a atriz famosa que tem um amante cineasta, passa por desencontros e mudanças. Encontra com outro cineasta e ganha um livro, sequência que parece um grande "ponto de exclamação" produzido pelo texto de Hong Sang-Soo. O resultado deste filme, na compreensão do público e da imprensa, pode se confundir com a polêmica pessoal vivida pelo cineasta Sang-Soo, que se envolveu com Min-Hee, mesmo sendo casado. Pra mim mesmo, por exemplo, pensar que o filme também tem uma qualidade íntima, como se trouxesse parte da privacidade do que ambos viveram (e por isso a sequência do filme de Younghee com o diretor, à mesa, figura como um "ponto de exclamação"), projeta em mim um encantamento, pois o cinema também se faz de encontros assim. Contudo, que se possa pensar nesses encontros e que se possa pensar, ainda mais, no talento desse cineasta, em produzir narrativas de uma beleza palpável. Sobretudo, que se possa pensar no talento desta atriz excepcional, que é Kim Min-Hee, premiada em Berlim (quando todos imaginavam que a transexual Daniela Vega do estupendo "Uma Mulher Fantástica" é que faria história como vencedora) e que vem sendo aclamada. Extasia testemunhar sua atuação avassaladora em "A Criada" e agora sua atuação deslumbrante em "Na Praia À Noite Sozinhha", ambas em anos seguidos. Este é um dos mais belos filmes do ano.

"Na Praia À Noite Sozinha" - Bamui Haebyun-Eoseo Honja - Dir. por Hong Sang-Soo - Coréia - 2017: Distribuidora No Brasil: Zeta Filmes - Filme de abertura do Festival Indie\2017

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domingo, 10 de setembro de 2017

Uma Mulher Fantástica

"As definições de 'soco no estômago' e 'tapa na cara' foram atualizadas. Este belíssimo filme, além de belo, tem também o poder de deixar em choque!"


Tive a honra de fotografar com o banner do filme no Reserva Cultural

Quer saber há que tantas tem andado a vida de uma transexual no mundo a sua volta? Ou mais, que tal fazer um exercício, que se sucede muito bem, tentando te colocar no lugar de uma trans ou te colocando frente a uma saraivada de humilhações e agressões, o que indiscutivelmente é capaz de deixar qualquer um impiedosamente perplexo? Mas, mais do que isso, neste filme devastador do chileno Sebastián Lelio, um movimento constante deixa o espectador inquieto. Enquanto Marina, a transexual estupenda construída pela extraordinária Daniela Vega, atravessa um calvário, cutuca a bolha do autoconhecimento, ora usando a agulha do "quem sou eu?!" para si mesma, ora emprestando a mesma agulha para o espectador, mas mudando a pergunta para "quem sou eu para você?!" ou "o que sou eu para você?!", ou ainda, "como você me vê?!". É justamente daí que brota a beleza do filme de Lelio. Aliás, ela pode brotar tranquila e silenciosa, mas a força da vida que ela traz consigo tem a potência da natureza, tão violenta e ao mesmo tempo tão abstratamente ordenada, como as cataratas do Iguaçu, que lindamente abrem o filme e ajuda a intuir o seu sentido.

Fotografei com o cartaz do filme no Caixa Belas Artes
O filme que começa com a comemoração do aniversário de Marina e que segue com os planos de seu marido Orlando para que viagem juntos para as cataratas (o que nos anestesia a pensar que poderíamos assistir um lindo romance como qualquer outro), de repente vira a 180 graus com a súbita morte dele e passa a descer, sem freio, tornando Marina o centro das atenções. Ela, que antes prestara um socorro comovente ao marido e que se desespera com sua partida, a partir do médico do hospital, que a seca com um olhar acusatório, como se ela fosse um símbolo perfeito de marginalidade, passa a ser alvo de uma desconfiança brutal. O que se seguirá é a continuidade dessa descida desenfreada de humilhações, ultrajes, ofensas e agressões, a cada momento promovidas pelos próximos personagens, da investigadora de polícia à antiga família de Orlando que, além do comportamento animalesco, anuncia sua própria forma de sentença sobre Marina: a proibição de sua presença no velório e no funeral, ou seja, o impedimento de dar o "último adeus" ao homem que amava.

Notavelmente, Sebastián Lelio evita fazer de seu filme uma incisão política ou social, pontuando que sua decisão de fazer este filme foi porque a história o emocionou e porque há amor nesta trama. Ela é universal, mais por conta da vida que contém, do que pelo símbolo que carrega (e que também conecta o filme com a realidade de transgêneros e com as discussões de gênero pelo mundo afora). De fato, nota-se como o tratamento que Marina recebe dói dentro dela, o que a desestabiliza emocionalmente e até existencialmente, mas não a destrói. Dessa forma, Marina se questiona o tempo todo diante da espécie de "preço que paga" por ser lida como uma quimera. Ela para e se observa, para garimpar o eixo de quem ela tem certeza que é. Surgem, então, os símbolos que provocam o espectador e o filme cresce mais ainda. Numa das cenas mais memoráveis, Marina está nua e quando a câmera parece que vai revelar ao espectador seu genital, é um espelho refletindo o rosto de Marina que ela tem entre as pernas. É Sebastián Lelio mexendo com os nossos sentidos, com a nossa visão e com a nossa percepção e com a nossa aceitação, afinal, o que é que vemos ou o que é deveríamos ver?!

Também fotografei com o cartaz do filme na
Livraria Toque De Letras em Itatiba\SP
Menciono também que, se até Daniela Vega citou Almodóvar para falar de sua transição, em como foi importante assistir seus filmes e descobrir o que estava acontecendo consigo, eu é que não vou me furtar a dizer de como o cinema de Pedro ecoa dentro da cabeça assistindo "Uma Mulher Fantástica". Em algum momento a música, as cores, um clima de mistério, alguma coisa vai trazê-lo à lembrança. A impressão é que Sebastián Lelio arrumou uma maneira muito autêntica de gravitacionar entre esse cinema, seja de Almodóvar ou de outros, que há muito tempo se interessam por essas vidas e por essas concepções. O cinema de Lelio, aliás, é de uma vitalidade, de uma composição e de uma narrativa tão fluentes, que cada vez mais vem lhe trazendo reconhecimentos. Ela já havia sido premiado em Berlim com o excelente "Gloria" e com "Uma Mulher Fantástica" saiu do festival com 2 prêmios e Daniela Vega, por pouco, não foi a primeira atriz transexual a ser premiada no festival, tamanha a conquista de sua interpretação. Ela é tão fantástica, quanto Marina, porém suas vidas não foram tão iguais, segundo ela mesma, que lembrou dos seus afetos em entrevistas, mas uma coisa é certa: Daniela, assim como Marina numa de outra das cenas extraordinárias desse filme, vem resistindo a ventania impetuosa pelas ruas ao ponto de curvar-se, mas tem seus pés firmes no chão. Ela ainda não mudou seu nome social no Chile, o que já poderia ter feito por ser uma pessoa pública, mas espera as mudanças nas leis, para que possa atravessar pelos mesmos processos que as outras transexuais que não tem os mesmos privilégios que ela teria. Só me resta dizer que não acho possível alguém não se desestabilizar com o resultado desse filme belíssimo.

"Uma Mulher Fantástica" - Una Mujer Fantástica - Dir. por Sebastián Lelio - Chile - 2017 - Distribuidora no Brasil: Imovision

Agradecimentos:
Agradeço a Imovision, que enviou o cartaz do filme para que eu pudesse trabalhar, fotografando, para assim divulgá-lo 
Agradeço ao Caixa Belas Artes, que cedeu seu cartaz para minha foto e divulgação 
Agradeço a Livraria Toque De Letras, que unindo cinema e leitura, produziu minha foto em seu espaço, para divulgação 

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sábado, 9 de setembro de 2017

Minha anfitriã dos últimos aniversariantes: Michelle Williams ❤


Michelle Williams. Completando inacreditáveis 37 anos de vida hoje, com mais de 20 anos de carreira e com 4 indicações extraordinárias ao Oscar. Na foto, as 2 últimas performances memoráveis, impecáveis e premiadas de tantos jeitos, em "Manchester À Beira-Mar" e em "Sete Dias Com Marilyn". E ela caminha para, de fato, encarnar Janis Joplin no cinema. Vida longa a Michelle Williams ❤

Também hoje: Adam Sandler chega aos 51 anos de vida; Hugh Grant aos 57 anos; 

Dia 8: o inesquecível Peter Sellers faria 92 anos de vida; a maravilhosa cineasta Kimberly Peirce ("Meninos Não Choram") chega aos 50 anos de vida;

Dia 7: Evan Rachel Wood chega aos 30 anos; Toby Jones aos 51 anos; um dos mestres do giallo e importante nome no terror, Dario Argento chega aos 77 anos; e uma das lendas do cinema, Elia Kazan, faria 108 anos de vida.

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"Leão De Ouro", em Veneza, é de Guillermo Del Toro ❤


Grande vencedor de Veneza:

" THE SHAPE OF WATER " do amado Guillermo De Toro ❤

O cineasta mexicano venceu o "Leão de Ouro" com seu filme, sobre o qual a imprensa internacional chama a atenção pela vitória de um filme que traz toques variados como fantasia, ficção, thriller e poesia, na história da muda que se apaixona por uma criatura, e que foi elogiadíssimo.

Del Toro: "Quero dedicar esse prêmio a todos os diretores americanos e latino-americanos que desejam fazer filmes que mexam com nossa imaginação. Eu acredito em vida, amor e cinema. E nesse momento da minha vida eu me sinto cheio de vida, amor e de cinema." (O Globo)

Vencedores:

Melhor filme: “The shape of water”, de Guillermo del Toro

Grande prêmio do júri: “Foxtrot”, de Samuel Maoz

Melhor diretor: Xavier Legrand (“Jusqu’à la garde”)

Melhor ator: Kamel El Basha (“The insult”)

Melhor atriz: Charlotte Rampling (“Hannah”)

Melhor roteiro: “Three billboards outside Ebbing, Missouri”, de Martin Donagh

Prêmio especial do júri: “Sweet country”, de Warwick Thorton.

Ator/atriz revelação: Charlie Plummer (“Lean on Pete”, de Andrew Haigh)

Prêmio Leão do Futuro (diretor estreante): “Jusqu’à la garde”, de Xavier Legrand

Melhor filme em Realidade Virtual: “Bloodeless”, de Gina Kim

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Naomie Harris em " MOONLIGHT " ❤


Ontem essa atriz extraordinária chegou aos 41 anos de vida e eu gostaria de fazer uma homenagem especial, pois foram quase 30 anos de carreira (acredite, ela começou na Tv aos 11 anos de idade), até que chegasse à sua merecida indicação ao Oscar, pelo assombroso papel de Laura em "Moonlight". Em Hollywood (bem como no mundo), nunca foi fácil para mulheres negras terem seu talento contemplado, então, receber grandes papéis, em grandes filmes, receber um olhar que, enfim decretasse, "esta é a atriz para esse papel e não há outra", nunca foi um comportamento rotineiro para com mulheres negras. Dessa forma, para este monstro de talento chamado Naomie Harris, foram quase 30 anos para que um olhar desses se aprisionasse na capacidade completa da atriz e lhe colocasse num papel desses, da vida mesmo.

Sobre "Moonlight" vai ser sempre preciso destacar que, na composição e no peso que tornam o filme um dos grandes filmes da década, a atuação de Naomie Harris tem um papel fundamental. Quando ela faz Laura, a mãe de Chiron, ela faz a parte da história anterior a Chiron, sobre quem pesou primeiramente os crimes da humanidade sobre a raça negra; e não é que Chiron seja um predestinado por causa da mãe, ao contrário, ele é somente peça no sistema miserável\predador que a humanidade transmitiu a raça negra, da mesma forma como a mãe já foi concebida neste mesmo mecanismo e pra ela, se a gente para e pensa, foi vitimada ainda mais, pois se para uma mulher já foi (e é) penoso fazer parte de uma humanidade masculina, imagine para uma mulher negra. É por isso que quando Naomie Harris interpreta Laura, ela está dando conta de um papel com uma dificuldade inexplicável, pois ela não é um robô (e por isso um artista é alguém acima da nossa compreensão), ela compõe a personagem, ou seja, ela, de fato, sentiu todo o complexo de dor, como depois podemos enxergar na cena memorável (e dolorosa) em que Chiron visita a mãe. O ano foi de Viola Davis, no entanto, até Viola deve ter se sentido sem reação ao pensar em Naomie. Viva Naomie, viva ❤

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

19 anos sem Akira Kurosawa, um dos nossos amores ❤




Falar de Akira Kurosawa é de um arrebatamento sem igual, bem como assistir as obras-primas que produziu e que estão aí ainda influenciando muitas as gerações (porque, por mais que você queira, não tem como fugir, enquanto não passar por Kurosawa, estará incompleto). Kurosawa é de uma história de vida riquíssima, a maneira como se traduziu em seus filmes, num Japão onde se reconhecia ou não, antes e depois da guerra, é um dos patrimônios a serem descobertos e redescobertos, em sua filmografia, bem como todas as outras riquezas de seu cinema. Foi com "Rashômon" que tornou o cinema japonês o norte que faltava (se é que ainda faltava) para o cinema mundial, no entanto, praticamente todas as suas obras-primas arrebataram grandes cineastas, influenciaram gerações e continuam influenciando. Uma das minhas obras-primas prediletas do mestre Kurosawa, "Os Sete Samurais", com sorriso no rosto, tenho em minhas mãos, para esse memorial do dia de hoje em sua homenagem, recordando que há 19 anos não temos mais um dos maiores cineastas de todos os tempos entre nós.

Obs.: o maravilhoso Idris Elba chega aos 45 anos de vida hoje, a maravilhosa Naomie Harris chega aos 41 anos de vida e a maravilhosa Anika Noni Rose aos 45 anos de vida.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pra encerrar esse dia 5:

Os 75 anos de Werner Herzog

Um dos cineastas alemães mais amados de todos os tempos, dos mais importantes e dos mais premiados. Da escola do novo cinema alemão, da singular escola do cinema de Werner Herzog, a história do cinema passa pelo cineasta e permanecem monumentos de sua história muitos dos seus filmes como "Fitzcarraldo", "Aguirre - A Cólera Dos Deuses", "Stroszek", embora toda sua filmografia necessite ser descoberta e redescoberta. Até aqui já são mais de 50 anos de carreira.






Os 53 anos de Sergei Loznitsa

Este cineasta ucraniano faz parte da grande safra dos novos cineastas do cinema pós anos 2000, os cineastas que tem escrito uma nova história, a partir de seu olhar para seus países, e que tem concentrado o realismo pelo cinema, respondendo a uma ansiedade do próprio cinema na virada do milênio. Grande documentarista, Loznitsa devastou em 2010 com o extraordinário "Minha Felicidade" e depois em 2012 com "Na Neblina". Continua produzindo documentários e voltou a Cannes em 2017, com o aguardado "A Gentle Creature". Soma 17 anos de carreira contínua, embora trabalhe desde a década de 90.







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Hoje: 66 anos de Michael Keaton


As 3 imagens significam os 3 jeitos com que Michael Keaton marcou a minha vida. Marcou a minha vida com o impagável Beetlejuice de "Os Fantasmas Se Divertem", marcou a minha vida com o inesquecível "Batman" de Tim Burton e marcou minha vida como o espetacular Riggan de "Birdman". São mais de 40 anos de carreira e, quando parecia que ele estava fadado a não ser mais do que uma mera lembrança, carinhosamente Aleandro González Iñarritu lhe dá o papel de sua vida, em "Birdman", o que lhe permitiu demonstrar um das atuações mais poderosas de que se tem notícia, e de um jeito raro no cinema, quando o personagem se confunde com a vida do próprio ator. O resultado é de um potência inexplicável. Pra mim, foi uma pena não ter vencido o Oscar. Viva Michael Keaton!

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