sábado, 29 de abril de 2017

Crítica: Elles

"Aclamada cineasta polonesa, Malgorzata Szumowska filma mulheres, expõe a sexualidade feminina com liberdade e, em entrevistas, cita Lars Von Trier."

É o seguinte: "ELLES" é um filme de uma mulher, filmando outra mulher, ouvindo outras mulheres\interessada em outras mulheres, ou seja, a química desta realização parece sair pelos poros, tamanha a sensação de entendimento que há no que se projeta na tela. O resultado é denso, autêntico, realista e tem algumas cenas memoráveis. Juliette Binoche (deusa e rainha) é uma jornalista que resolve compor uma matéria com prostitutas e, durante seu envolvimento com as duas mulheres que entrevista, é afetada emocionalmente, posto que está em posição de "panela de pressão", insatisfeita com a rotina de sua própria casa, dividida entre o lar, marido e filhos. Bem, há aqui o clichê da personagem que se auto-descobre durante o processo, porém o que importa no filme de Malgorzata é uma estridente aproximação com o mundo das mulheres que filma, de modo que, as prostitutas, por exemplo, são mostradas em situações desestabilizadoras e não há "um pingo" de julgamento no registro, seja a respeito da sua submissão ou a respeito de seus homens. O mesmo tratamento é dado a personagem de Juliette Binoche e seus conflitos com o marido. Fato é que, de certa forma, fica um desgosto no ar por algumas situações, principalmente quando a jornalista questiona as mulheres com indagações mais existenciais, referentes a suas aceitações e opções, mas paradoxalmente isso dissolve-se pela narrativa do filme, intercalando um pouquinho das 3 realidades, mas sobretudo, encontrando um eco mais sonoro, na vida da personagem de Juliette, que representa a mulher que trabalha, cuida da casa, cuida dos filhos, é cobrada pelo marido e, para com ele mesmo, vem de encontro. A vida "padrão" dessa mulher, se vista sob a representatividade da vida "livre" das outras duas mulheres, confunde a compreensão do espectador e o leva a perceber que há um pouquinho de todas as coisas em todas as mulheres. O que as deixa acima de tudo é a medida em que são donas de si mesmas, a medida em que só a elas importa o que fazem ou deixam de fazer de sua vida. Nesse sentido, em entrevistas, a cineasta recebeu perguntas sobre como filma a sexualidade feminina e ela diz que é preciso apresentar esse elemento de forma inovadora. Assim cita Lars Von Trier, mencionando como ele se debruçou sobre a sexualidade da mulher, sem pudores ou arrependimentos. Da mesma maneira menciona Agnieszka Holland como uma inspiração de cinema. Há também em "ELLES" o fator Juliette Binoche, que deixa ainda mais crível a realidade dessas mulheres. A maneira como Juliette tem esse dom de fazer as personagens que interpreta existirem, realiza um fenômeno junto ao espectador que, sem saída, se envolve completamente. E fica aqui o destaque para dois momentos memoráveis, em que a icônica canção "Les Feuilles Mortes", é cantada; o segundo momento, inclusive, é extraordinário. Este é o cinema das mulheres, o cinema da aclamada Malgorzata, em quem devemos ficar de olho.

" ELLES " - Elles - Dir. por Malgorzata Szumowska - Polônia\França - 2011 - Distribuidora no Brasil: Imovision #52FilmsByWomen


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Crítica: Branquinha

"Neste filme de estreia, tanto a cineasta Elizabeth Wood, quanto a atriz Morgan Saylor, obtêm um resultado extraordinário e que faz todo o sentido. Ambas assinam seus desempenhos com talento e deixam claro a que vieram."
Morgan Saylor, da série "Homeland", em desempenho intenso e extraordinário
em "Branquinha" ("White Girl", Netlix)

A cineasta Elizabeth Wood estreia na direção e se sai muito bem, sem deixar a desejar, neste filme intenso, ousado e provocador, que consegue despertar o público para os elementos de raça, classe, gênero, empoderamento, privilégio branco e drogas. No entanto, ela afirma que este filme, bastante auto-biográfico e feito com sacrifícios, foi desenvolvido por ela com um intuito de divertir, no sentido de apenas filmar os excessos, pois ela mesma se identifica como alguém em excesso, alguém em intensidade e com uma identidade "over"; era um projeto grande, interessado em dar visibilidade a esse lado de Nova York (também experimentado por ela), em que as pessoas se misturam, em que as cores se mesclam e se perdem entre si, em que os jovens se sentem livres e em casa. Contudo, as páginas do projeto precisaram ser reduzidas e o resultado disso foi condensar ao teor da trama a visibilidade e a intensidade dessas vidas. 

A história dessa universitária, Leah, uma jovem branca, que se apaixona pelo cara do tráfico do bairro, um latino chamado Blue (e esse nome "Blue" também nos faz lembrar do "Blue" de "Moonlight"; personagem aqui interpretado pelo cantor porto-riquenho Brian Marc), é um verdadeiro delírio. Filmada com cores quentes, nuances acentuadas, com os corpos se transformando em espécies de condutores elétricos dos desejos, aqui não há pudores, tampouco julgamentos. Aqui os personagens se drogam sem limites, vivem seu desejo da carne, no sentido mais puro que possa existir e não há preconceitos. Há um espírito de "Romeu e Julieta", segundo a própria cineasta, que consome a paixão e que arrasta o espectador pela jornada da personagem, que não pensa duas vezes em tudo a que se submete para tirar o namorado da cadeia. 

Mas na imagem da "branca" que se droga, na imagem da "branca" que se apaixona pelo latino, na imagem da "branca" universitária, na concepção do título, que evoca tanto a cocaína, quanto a imagem da personagem, nessas imagens corroboradas com tanta autenticidade pela maneira de filmar de Elizabeth, é inevitável não pensar que exista nesse filme uma ácida e corrosiva ausência de censura e avidez por filmar a sociedade do jeito que a sociedade acontece, contrariando a hipocrisia e preconceito com que a própria sociedade se entorpece. É inevitável não imaginar que deva ser um sufoco, para a sociedade dos valores e dos bons costumes, assistir a esse filme. Aquela sociedade que diz que droga é coisa da favela, da pobreza, dos negros e da marginalidade, como que se desses elementos é que partisse essa realidade, quando, entre os playboys e playgirls (entre a sociedade rica e branca), o uso de drogas, por exemplo, é uma prática e um comportamento vital. 

Neste filme, também a imagem de uma jovem vivendo intensamente, de maneira selvagem (e, acredite, belissimamente), é um ponto alto. Leah é uma mulher que experiencia o que outras mulheres experienciam, o assédio, o estupro, a oportunidade (clandestina) do "privilégio", a oferta, porém, é Leah quem decide, é ela que resolve se "cai de boca" ou não, é ela que demonstra sua consciência; parece um sentido polêmico do filme, mas extremamente necessário em apontar para o empoderamento e para desconstruir a imagem da mulher quase sacra, aquela imagem pintada com o verniz da expectativa de como as mulheres "devem" ser ou "devem" se comportar. A personagem é riquíssima, complexa e gruda em você, no resultado da interpretação devastadora de Morgan Saylor, da série "Homeland", que consegue transmitir uma inocência e um pulso de vida, iluminados com um carisma único da atriz.

Outro elemento narrativo com resultado extasiante deste filme, é a trilha sonora incendiária, fatal a percepção do espectador, o que demonstra como foi inspirada a direção de Elizabeth em junção com o supervisor musical do filme, Josh Kessler. Na abertura do filme, por exemplo, durante a chegada de Leah com sua amiga à nova moradia, acontece o primeiro flerte de Leah com Blue. Toda essa sequência é embalada ao som de "Cristo Redentor", do lendário guitarrista Harvey Mandel. O efeito é diegético, é como se o arranjo anunciasse que o encontro dos dois personagens e a intensidade entre os dois, será tão solene e marcante, quanto o próprio arranjo. É o tipo de consciência no cinema que, por vezes, é considerada um convencimento. É um íntegro uso da capacidade narrativa e com efeito incrivelmente empático.

Depois de dizer tudo isso, é preciso dizer ainda que a cena final de "Branquinha" é um assombro e que o filme termina da forma mais culminante possível. Só resta salientar que é uma conquista esse filme estar disponível na grade da Netflix, aliás, é mais uma grande estreia de uma mulher na direção de ficção, disponível na Netflix. Outra grande estreia na direção, e premiada, disponível na plataforma, é "Divinas", da cineasta Houda Benyamina, portanto, que essas preciosidades, desse cinema feito por mulheres maravilhosas, vire mesmo rotina.
" BRANQUINHA " - White Girl - Dir. por Elizabeth Wood - Estados Unidos - 2016 - Netflix #52FilmsByWomen


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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Primeira imagem de Juliette Binoche em "Un Beau Soleil Intérieur"


Divulgada uma primeira imagem do aguardado novo filme, da extraordinária cineasta francesa, Claire Denis, estrelado pela rainha Juliette Binoche e que abre a "Quinzena dos Realizadores" em Cannes\2017. "Un Beau Soleil Intérieur" é adaptado da obra do filósofo francês Roland Bartes, "Fragmentos De Um Discurso Amoroso", tido como uma desconstrução da linguagem do amor, contada do ponto de vista de uma amante, que se redescobre com uma força vívida. A ansiedade dos corações cinéfilos precisa buscar uma calma até que o filme chegue até nós. Aguenta coração!

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CANNES 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Crítica: Martírio

"Antológico. Não é só antológico, além de devastador, é também um dos resultados mais apavorantes em demonstrar o Brasil. O Brasil que eu e você vivemos, que mata, que massacra, que não está nem um pouco interessado na história e que, por dinheiro e poder, vai as raias da violência e da forma mais bizarra que custaria a acreditar."


Este documentário, gestado dentro do coração de um indigenista, é um verdadeiro compêndio, ao se debruçar e mapear a jornada dos Guarani e Kaiowá, ao rasgar as aparências da política indígena no país e ao remontar uma verdadeira chacina, feita de pequenos massacres. Ao longo das últimas décadas, enquanto Vincent Carelli deixa tudo e passa a registrar com que sacrífício as vidas desses povos do Rio Grande do Sul sobrevive, eclode uma guerra entre a política do agronegócio e a política indígena, sustentada pelo interesse. Dessa forma, Vincent Carelli realiza o milagre antropológico mais consistente que o cinema poderia realizar, ele registra vidas se esvaindo como que por um ralo de sangue, registra a jornada dos ancestrais da nossa história, pacíficos e cheios de nobreza, pela tentativa da retomada de suas terras, e registra mulheres e homens se fortalecendo em seu próprio eixo: uma cultura de identidade e de fé. Este documentário poderia ser indicado ao Oscar. E poderia ganhá-lo com louvor. Daqui pra frente temos mais uma obra, através do cinema, para entender o Brasil. E uma obra obrigatória.

" MARTÍRIO " - Martírio - Dir. por Vincent Carelli em co-direção com Tita e Ernesto de Carvalho - Brasil - 2016 - Distribuidora no Brasil: Vitrine filmes



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sábado, 22 de abril de 2017

Crítica: As Falsas Confidências

"Tem Isabelle Huppert, é engraçadinho, é espirituoso, mas..."


Será que está tudo funcionando?
Tem uma coisa muito especial acontecendo com esse filme, um brilho, uma luz, mas tudo com muita pequenez. O fato do cineasta Luc Bondy ter falecido, após a conclusão dessa realização, dá um valor emérito ao resultado. Fez esse filme inspirado por sua experiência teatral, adaptou a obra de Marivaux, importante romancista francês, mas projetou através do filme um amor e uma sede incomum pelo teatro. Ao filmar nas dependências do Odéon em Paris, onde os atores filmavam durante o dia e encenavam a peça a noite, diz-se que ele experimentou uma nova dinâmica. Transformou os arredores do palco em locação, mas não cedeu ao palco até um momento crucial. O elenco é um charme, Isabelle Huppert fazendo a "engraçadinha", Louis Garrel fazendo o "perdidinho", Manon Combes fazendo a "histérica", Bulle Ogier fazendo a "megerinha" e é tudo uma comédia, bem espirituosa, de aparências, que flui quando os atores parecem estar se divertindo. Mas...funcionou?
Pois é, filme pequeno, discreto, espirituoso e que me deu uma espantosa impressão: de que estava todo mundo envolvido, todo mundo se divertindo, todo mundo ali "sambando" nos bastidores, porém, deixando escorrer pelo gargalo aquela sensação de que está funcionando mais para quem está fazendo, do que para quem está assistindo. Em outras palavras, é um resultado, digamos que até esperado, da intimidade que o cinesta tinha com o teatro e não deixou que ela escapasse. Por isso, houve a referência, por parte da imprensa, a respeito dessa "dinâmica" com que filmou nos arredores do palco e, de fato, a coreografia do filme é bastante divertida. Chega também a ser interessante essa ideia de que os placos saiam de seus limites e que se encare, nesse exercício proposto, a expansão de seus extremos, levados para as dependências do Odéon. Melhor parar por aqui, afinal, pelo que me parece, o intuito foi apenas uma diversão. E divertido é, talvez mais para o casting, mas tem bastante para quem assiste. E tem Isabelle Huppert!

" AS FALSAS CONFIDÊNCIAS " - Les Fausses Confidences - Dir. por Luc Bondy - França - 2016 - Distribuidora no Brasil: Supo Mungam Films


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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Crítica: Gaga - O Amor Pela Dança

Criaturas geniais, como Ohad Naharin, nascem 1 em 1 milhão. Este documentário é uma verdadeira "menção honrosa" a esta figura.


Quando o coreógrafo Ohad Naharin torna sua pedagogia de ensino em "Gaga",  um nome para definir uma linguagem de movimento, amparado por métodos visionários, exercidos por ele, então, se restava alguma dúvida, a partir desse momento você passa a assimilar fatalmente que: durante a projeção deste documentário, estamos diante de um dos gênios mais extraordinários dos nossos tempos. Jovem, foi impelido pela mãe, uma dançarina e coreógrafa, a sair de Israel e ir para os EUA, pois dançava muito bem. Lá, sua ascensão foi inevitável. Tratava os movimentos corporais e seus alunos com uma complexidade sem igual. O próprio início do documentário demonstra o desafio em desenvolver-se no grupo de Ohad, ao mostrá-lo ensinando à uma aluna de que forma é que deveria simular uma queda e, fugindo totalmente da nossa compreensão, surge a forma mais verossímil e imaginativa possível de criar uma queda e transformá-la num movimento corporal que, por si só, já é um espetáculo. 
"História de um dos mais importantes coreógrafos do mundo, "GAGA – O AMOR PELA DANÇA", é resultado da direção de Tomer Heymann. O filme foi o escolhido pelo público como o melhor documentário da 40ª Mostra Internacional de Cinema e conta detalhes da vida de Ohad Naharin, renomado coreógrafo e diretor artístico da Companhia de Dança Batsheva, de Tel Aviv. O longa acompanha sua trajetória ao longo de oito anos, captura momentos de ensaios íntimos e mostra um extenso material de arquivo inédito."

 


É essa a genialidade de Ohad, é pura inovação e, certamente, não há nada que se assemelhe a maneira como desenvolve a dança e o corpo. Certamente, também, não é igual a nada que já tenhamos visto na dança. Porém, algo lhe faltava. Uma limitação impede Ohad de dançar, mas através dessa mesma limitação lhe surge a inspiração mais fatal que lhe faltava, a de, enfim, dar à sua postura, com seus métodos e desenvolvimentos, uma espécie  de "batismo" e assim surge o nome "gaga". À "gaga" (que não tem nada a ver, nem com "Lady Gaga", nem com a música "Radio Ga Ga", do Queen) deve-se compreender seu estilo, sua pedagogia, sua visão única e os desdobramentos de sua atuação. É o selo do mestre, que seria então conhecido como o "Mr. Gaga". Porém, a vida é muito imprevisível e, incrivelmente, mais um passo deveria ser dado, para que realmente seu trabalho com a dança se tornasse uma referência, no sentido de se imprimir como um patrimônio. E inconscientemente surgiu uma necessidade de que Gaga voltasse para Israel, uma ansiedade, resultado de todo o contexto em que já estava inserido, por uma reconexão com suas raízes e sua pátria. E assim foi feito. Ele e sua esposa, Mari Kajiwara, que conheceu em Nova York, se mudam para Israel e ele vai trabalhar no Batsheva Company, importante escola de dança. Eleva a escola para outros níveis, a partir do método "gaga" e cria polêmica entre os mais conservadores, resistentes em aceitar suas coreografias mui ousadas e consideradas "insinuantes", tamanho o impacto de seus efeitos; assim, então, Gaga resiste pela dança. E vira um mito.

 '“As sementes deste filme foram plantadas há 20 anos, quando eu vi pela primeira vez o Grupo de Dança Batsheva, de Naharin, no palco. Minha cabeça e meu coração sofreram uma convulsão gigante, como um coquetel excelente de álcool e drogas, mas sem álcool e sem drogas. Um contínuo movimento, música, energia, sexualidade, sensualidade e dançarinos que fazem você se apaixonar sem saber o porquê. A partir daquela noite, eu me tornei um consumidor obsessivo da arte da dança do Batsheva. Naharin é um osso duro de roer, uma pessoa muito complexa e de caráter contraditório, o que o torna um assunto fascinante para um documentário”, explica o diretor Tomer Heymann". '




Bem, o documentário do cineasta Tomer Heymann, intercala dezenas de cenas das inúmeras montagens de Gaga, todas extraordinárias, com a narrativa do próprio Gaga, através das passagens de sua vida, as mais cruciais possíveis. É encantador perceber como sua vivência vai se refletindo nos palcos, através de suas coreografias dificílimas, em que corpo e movimento se tornam uma linguagem memorável, de tirar o fôlego e com uma capacidade expressiva espantosa, impossível de ser descrita por palavras. Os conflitos vividos por Gaga, desde a sua impossibilidade de dançar, até o falecimento da esposa e conflitos com o novo amor, são expostos de forma quase contemplativa e serena. Aliás, esse é um dos trunfos desta realização, deixar que os desdobramentos da vida de um gênio falem com autonomia. Não há, neste documentário, nenhum recurso de narrativa que se imponha ao grande motor da existência de Gaga: a dança e seu pioneirismo. E o resultado é espetacular. 


            


         
 '“Esse filme apresenta muitas camadas narrativas diferentes, ele é complexo em sua forma e conteúdo, mas fácil de amar. Enquanto introdução do universo de um artista incrível, este filme abre as portas de um mundo fascinante: político, doloroso, contraditório, mas em última análise, lindo”, elogiou o júri do Tempo International Film Festival. O documentário também foi aclamado pela crítica e eleito por muitos a melhor produção de dança desde “Pina”. '
     '“Elétrico, fascinante, coreograficamente brilhante, bem filmado... Excelente. Um personagem principal complexo, convincente, bonito e carismático. Sem dúvida, Naharin é um gênio”, escreveu Dennis Harvey, da Variety. '

"Gaga - O Amor Pela Dança" - Mr. Gaga - Dir. por Tomer Heymann - Israel - 2015 "

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domingo, 2 de abril de 2017

Sofia Coppola e Christopher Nolan: os mais polêmicos da CinemaCon 2017


Netflix? Amazon? Não. Cineastas se posicionaram contra exibições de filmes via plataformas, principalmente referentes as suas novas realizações. Seus comentários incendiaram a imprensa estrangeira.

"Esta é uma história de suspense e precisa te fazer sentir lá; isso só é possível nos cinemas, dependo e confio em vocês para apresentá-lo da melhor maneira possível", enfatizou Nolan sobre a importância de se assistir "Dunkirk" nos cinemas. Ele foi mais além ainda e, sendo irônico, respondeu ao comentário de Sue Kroll, do marketing e distribuição da Warner, o estúdio de seu filme. Sue se referiu ao streaming dizendo ser uma "oportunidade" para a indústria e disse também que o gosto dos consumidores estão mudando e que isso afeta a maneira como os estúdios fazem negócios, no sentido de que os clientes estão dizendo, dessa forma, que o que eles querem são mais opções em como e onde assistir o conteúdo, e já o fazem. Nolan respondeu:

"A única plataforma em que estou interessado em falar sobre é a exibição nos cinemas."

Já Sofia Coppola, sobre "The Baguiled (O Enganado)", sua nova realização, mencionou:

"Espero que as pessoas o vejam no cinema, onde foi feito pra ser visto."

E não foram só eles. O presidente da Sony, Tom Rothman, chamou a atenção da experiência da telona e alfinetou dizendo: "Minha bunda pra Netflix". Sua alfinetada veio logo depois da apresentação do novo "Blade Runner". Ao que tudo indica, há ainda um assunto "engasgado", a ser digerido pela indústria.

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