segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Primeiras Impressões: La La Land - Cantando Estações


" LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES " - La La Land - Dir. por Damien Chazelle - Estados Unidos - 2016 

Das coisas que me fazem estremecer no cinema: pensar que num musical, que não é um musical integral (daqueles que todo mundo espera ser "cantado" do início ao fim), você vai testemunhar um resultado belíssimo, vai testemunhar inovação e pode ainda testemunhar uma viagem criativa sem igual, que, inesperadamente, surge em " MANHATTA " (curta de 1921) ou Dziga Vertov, suspira em " CASABLANCA ", ganha vida em Jacques Demy, embarca em Woody Allen, flui como a câmera de Alfonso Cuáron e tudo isso (e muito mais) são pequenos detalhes para dizer: que maravilha de filme! 

Mas o que eu mais gostei? Sem sombra de dúvida da forma como vai se revelando menos um musical e vai deixando vir a superfície um pessimismo todo subjetivo. Esta belíssima e onírica experiência (que incansavelmente me recordou " 500 DIAS COM ELA ") toma o que há de mais sórdido em Los Angeles como matéria prima: a ilusão de participar do sonho, sem fazer parte dele 'in loco', da forma mais triste que poderia ser. Mas, Daniel, é um filme triste? Não, é tudo muito alegre, colorido, divertido, romântico, no melhor estilo da camuflagem e, como as decepções são sempre decepcionantes e acompanhadas de fantasia, aqui não poderia ser differente e faz todo o sentido. Este prisma nos mostra o quanto este filme é desafiador, o quanto todas as suas cores, todas as suas sequências extraordinárias, querem nos dizer muito mais que toda a farra, que já deixou muita gente louca pelo filme. E o final, que me ganhou ainda mais, é a vida por si só, com nossas escolhas, com o que deu certo e com o que não deu, é soberbo! Bravo!


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Primeiras Impressões: Moonlight


" MOONLIGHT " - Moonlight - Dir. por Barry Jenkins - Estados Unidos - 2016 

O tratamento dado a este filme americano é antológico (ao mesmo nível e sob o eco de " 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO "), é épico e beira ao operístico. As percepções que encontram margem nesta realização chegam por vários ângulos, sócio-políticos, representativos, humanísticos, simbólicos, cinematograficamente científicos, mas creio que o surgimento de um filme como esse, no fim da era Obama, que termina deixando em fervura a questão racial que só implodiu nos últimos anos (além de todas as questões ligadas a qualquer tipo de impunidade e\ou preconceito); ou seja, a construção de uma obra honesta que, puramente, radiografa negros na América, não encontraria outro fim, senão ganhar um peso definitivo: um dos filmes do século, uma das imagens do século, uma das representatividades do século. Neste sentido, qualquer prêmio que vencesse seria pouco, pois seu estado é mais elevado.